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Entrevistas
Publicada em Ter, 01/11/2016

Eu encontrei o evangelho na Romênia comunista

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Eu encontrei o evangelho

“Então eu o compartilhei com o agente do governo enviado para me matar.”

Romênia - Como a maioria das pessoas no meu país, eu nasci com uma fome de descobrir a verdade e a liberdade. Infelizmente, eu nasci na Romênia comunista, sob o comando do regime totalitarista de Nicolae Ceausescu. A Romênia de Nicolae era uma terra de mentiras, onde um simples questionamento contra o governo poderia resultar em uma prisão, tortura física e, em alguns casos, até mesmo em morte.

Nem é preciso dizer que vivíamos em um ambiente de constante ansiedade e desconfiança. Qualquer um poderia voluntariamente denunciar um vizinho, um colega de classe ou um membro da própria família, por fazer declarações “antigoverno”. O governo tinha até mesmo espiões dentro das igrejas. A melhor maneira de evitar problemas era permanecer calado, não fazer questionamentos e tentar se misturar.

Por anos, eu observei meus pais tentando desempenhar o papel de “bons cidadãos”, enquanto secretamente murmuravam sua desaprovação e desprezo pelo governo. Eu me perguntava “Por que as pessoas estão sempre cochichando? Por que eles têm tanto medo de falar a verdade?”.

Você vai à igreja?

Quanto mais o medo silenciava aqueles que estavam ao meu redor, mais obcecada em encontrar a verdade eu ficava. Depois da graduação, eu entrei para uma escola de direito e me tornei advogada. Mas o meu trabalho, atribuído pelo governo, consistia em muito mais do que carimbar regras e regulamentos comunistas recém-criados. Isso era desmoralizante.

Uma noite, um cliente veio para discutir a respeito de algumas papeladas relacionadas a uma propriedade. Nós estávamos nos reunindo a meses, e francamente, eu estava exausta. Mas esse cliente em particular, nunca demonstrou estar desencorajado. Estava sempre sorrindo e com um senso de tranquilidade que eu jamais havia visto em ninguém. É como se ele não fosse afetado por toda miséria que o cercava. Ele irradiava alegria e paz, e por alguma razão, isso me incomodava. E, sem pensar, eu deixei escapar:

– Eu gostaria de ter o que você tem em sua vida, esse seu senso de paz e felicidade – eu disse.

– Você vai à igreja? – respondeu ele.

– Sim. No Natal e na Páscoa. Por quê?

– Você gostaria de vir comigo a minha igreja nesse próximo domingo?

Minha primeira reação foi recusar. Afinal, o governo comunista era declaradamente contra igrejas. Debaixo das regras de Nicolae, cristãos frequentemente eram presos e espancados. Construções de igrejas eram demolidas e suas terras confiscadas para uso de Nicolae. Qualquer pessoa que questionasse sua posição contra Deus era lançado numa prisão ou simplesmente desaparecia. Até onde eu sabia, esse convite poderia ser uma armadilha para testar minha lealdade. Então eu parei por um momento e calculei meu próximo movimento e, olhando novamente a sua expressão de paz e mansidão, e o quanto eu desejava aquilo, decidi que valia a pena correr o risco.

No domingo seguinte eu visitei a igreja. E assim que o grupo de música terminou a canção de abertura, o pastor leu João 14:6 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao pai a não ser por mim”. Eu não podia acreditar no que havia acabado de ouvir, alguém dizia ser a verdade!

Enquanto o pastor continuava a explicar a respeito da verdade que há em Jesus Cristo, eu sentia como se aqueles versículos ditos tivessem sido escritos especificamente para mim. Olhando em direção ao corredor, eu vi meu cliente. Ele sorriu, acenou com a cabeça e gentilmente apontou para a sua bíblia, como se dissesse “Agora você compreende?”.

Eu entendi, e sem perceber, eu estava sorrindo para ele, e pela primeira vez em minha vida, tudo fazia sentido. Eu gastei anos procurando pela verdade, mas eu estava procurando nos lugares errados, na escola de direito, no governo, no sistema de justiça. Eu finalmente percebi que a verdade é algo que não vem através dos livros de direito, e sim de Deus, o criador do universo, a fonte de toda a vida, paz e alegria.

Incapaz de conter minha alegria, eu aceitei o convite do pastor de receber a Cristo como meu Senhor e Salvador. A partir daquele momento, eu dedicaria a minha vida em buscar e compartilhar da verdade, não importando o quanto isso me custasse.

O meu maior desafio

Pouco depois de eu ter sido batizada, comecei a defender meus irmãos em Cristo que enfrentavam prisões, por transportar bíblias ao longo da fronteira da Romênia, compartilhando sua fé, ou adorando secretamente em suas casas. Isso rapidamente fez de mim um alvo. Por várias vezes, eu acordei e encontrei os pneus do meu carro furado, meus clientes, amigos, e até mesmo meus filhos eram ameaçados. Minha filha e eu fomos mantidas em prisão domiciliar por quase um mês. Eu fui sequestrada, ameaçada, empurrada em meio ao trânsito em pleno movimento, e espancada pela polícia secreta. Para a segurança dos meus próprios amigos e colegas de trabalho, eles começaram a se distanciar de mim. Minha fé era testada diariamente. No entanto, o meu maior desafio ainda estava por vir.

Tarde da noite, depois de um longo dia na corte, Miruna, minha assistente, deu uma olhadinha na minha porta, e viu um grande homem na sala de espera, que queria discutir um caso. Miruna não deu muita importância e foi embora.

Eu fiquei surpresa em quão grande aquele homem era. Enquanto ele sentava na cadeira bem a minha frente, seus olhos pareciam estar fitados em mim, e no canto de sua boca havia um leve sarcasmo. Lentamente ele enfiou a mão no coldre de ombro e sacou um revólver.

“Você não deu atenção aos avisos que tem recebido“, ele disse, apontando a arma para mim. “Eu vim aqui para acabar com esse assunto de uma vez por todas“. Ele flexionou os dedos e eu pude ouvi-lo engatilhando a arma.

 “Estou aqui para matá-la“.

Minhas mãos tremeram. Lutar ou fugir, eram os instintos que vinham a minha mente. Até meu queixo tremia, e uma imagem vinha a minha mente: minha assistente chegando ao escritório pela manhã e encontrando meu corpo sem vida, jogado no chão.

Eu estava sozinha com o meu assassino. No entanto, não era bem isso. Eu comecei a fazer silenciosas e fervorosas orações, relembrando as promessas de Deus. O Seu espírito soprou paz em meu coração em pânico. Então eu compreendi sua mensagem: compartilhar o evangelho. Eu entendi que aquele homem diante de mim, por trás daqueles olhos cheio de ódio, era uma criação de Deus. Portanto, tinha uma alma imortal, e precisava saber a respeito do amor que Deus tem mostrado através de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo em que me sentia encorajada a fazer aquilo, eu conhecia os olhos do meu assassino. Então eu comecei a questiona-lo: “Você já se perguntou alguma vez: porque eu existo?”, “Porque eu estou aqui?“ ou “Qual é o significado da vida?“. Eu me fiz essas perguntas uma vez. Minha voz esteve o tempo todo calma e sem tremular.

Seus olhos suavizaram e meu coração começou a bater ainda mais rápido, fazendo com que minha confiança crescesse.

 “A verdade é que todos nós estamos corrompidos e escondidos de Deus.“ Ele acenou positivamente com a cabeça. “Somos todos pecadores, e o nosso pecado tem determinado o nosso futuro. Hebreus 9:27 diz, ‘as pessoas são destinadas a morrer uma única vez, depois disso segue-se o juízo’“.

Seus lábios se abriram levemente e suas mãos relaxaram.

“Mas a boa nova é que Deus tem preparado um caminho para cada um de nós, através do sacrifício de Jesus Cristo na cruz: ‘Por que Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o Seu único filho, para que todo aquele que Nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna ’”. Quanto mais eu continuava a testemunhar, mais amigável e calmo ele ficava.

Finalmente ele levou sua mão à testa e disse, “Você está certa. As pessoas que me enviaram aqui são loucas. Eu realmente preciso de Cristo“. Ele então prometeu, “Eu irei a sua igreja como um irmão secreto em Cristo, e adorarei ao seu poderoso Deus“.

E, com isso, meu assassino foi embora salvo, como um irmão em Cristo. Ele se matriculou mais tarde em um seminário, e temos mantido contato. Agora somos amigos e ele encontrou a verdade. E nenhum de nós vai ter medo de falar a respeito de nossa fé novamente.

*Com informações da Christianity Today; Tradução: Edward Taiye Ogunniya; Imagem: Christianity Today

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