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Publicada em Sex, 23/12/2016

Comércio de almas

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Comércio de almas

*Bispo Macedo

Números do Ministério da Saúde divulgados pelo Estadão esta semana mostram que morrem, POR DIA, cerca de QUATRO mulheres que procuram ajuda nos hospitais por complicações do aborto. Até esse dado ser divulgado, os números oficiais davam conta de que uma mulher morria por esse motivo a cada dois dias. Esse é um problema grave que não se resolve com a proibição da prática. A lei, do jeito que está, não tem ajudado nem a mãe, nem o filho.

Muitos cristãos, no entanto, pensam que estamos falando da morte de assassinas e, por isso, acham que seria uma espécie de “punição Divina”. Essa ideia tem raiz na tradição religiosa católica. Porém, se você quer saber a opinião de Deus a respeito, não pergunte para religião nenhuma, veja o que Ele mesmo diz na Bíblia:

Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, porém, não havendo outro dano, certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher; e pagará conforme aos juízes. Mas, se houver morte, então, darás vida por vida. Êxodo 21.22,23

Se Deus enxergasse como os religiosos de hoje, tanto a morte da mulher quanto o aborto seriam o mesmo crime: assassinato. Porém, não é assim que Ele vê. Se o ferimento provocasse a morte da mulher, a pena era a morte. Mas se provocasse apenas o aborto, a pena era multa. Isso porque o feto era considerado parte do corpo da mãe e só visto como uma vida independente após o nascimento. Concorde você ou não, é esse o entendimento bíblico. Aborto é dano, sim, mas não comparável à morte da mãe. O resto, é tradição religiosa e opinião pessoal. E o fato é que essa tradição tem custado quatro almas por dia, todos os dias.

As maiores vítimas, como sempre, são as mais pobres. Quem tem dinheiro faz aborto no exterior ou em clínicas mais estruturadas, com médicos de verdade. Quem não tem, recorre a medicamentos abortivos ou a um muquifo qualquer. Muitos, liderados por bandidos que só querem dinheiro e não estão nem aí para a vida da mulher. O resultado? Perfurações uterinas, hemorragias e infecções. Quase sempre, não é o aborto que mata a mulher. É o aborto malfeito, clandestino.

Segundo o IBGE, a maioria das mulheres que aborta já tem filhos. Ou seja, além da nossa lei atrasada alimentar esse comércio de almas, ainda deixa milhares de filhos sem mães. E, que me desculpem os religiosos, é absurdamente cruel e anticristão culpar essas mães por suas próprias mortes. Quando a morte é de alguém da nossa família, percebemos que uma por ano já é uma tragédia. Imagina uma alma sendo ceifada a cada dois dias. Ou quatro por dia!

Para chegarem a se expor a esses riscos, essas mulheres estão desesperadas, achando que não têm outra saída. Estão sozinhas, muitas vezes sem ter com quem contar. Se o procedimento fosse legalizado, chegariam ao hospital e encontrariam uma equipe multidisciplinar para atendê-las: um grupo de profissionais de saúde interessados no bem-estar da paciente e não no dinheiro que ela tem a lhes oferecer. Teriam o apoio de psicólogo e assistente social para conversar e decidir se aquela realmente é a melhor escolha. E poderiam, de fato, fazer sua escolha. No Uruguai, país que legalizou o aborto recentemente, é exatamente assim que funciona. Algumas mudam de ideia, decidem levar a gravidez adiante e conseguem apoio para ter seus filhos. Outras, mantêm sua decisão de interromper a gravidez e fazem o procedimento de forma segura e sem complicações, mantendo a saúde, a dignidade e a própria alma.

Não podemos tapar o sol com a peneira, acreditando que manter o aborto na ilegalidade fará com que as mulheres não abortem. Nem nos eximir da responsabilidade quando morrem na mesa dos “açougueiros” e ficamos sabendo pelos jornais. Somos responsáveis, sim, se continuamos a achar que elas não merecem ser protegidas pela lei. Ser a favor da legalização do aborto não é, necessariamente, ser a favor do aborto. Ninguém precisa ser a favor do câncer e do cigarro para ser a favor de que o Estado ofereça, por lei, tratamento de câncer de pulmão a fumantes e lhes poupe a vida. Com o aborto devidamente regulamentado, oferecido com segurança, principalmente às mulheres pobres e desassistidas, aí, sim, podemos começar a discutir se ele é certo ou não, com base em opiniões pessoais. O importante — e urgente — é que essas mulheres parem de morrer.

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