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Embaixada em Jerusalém: ganhos e perdas

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(Inglaterra) Assim que tomou posse como presidente da República, Jair Bolsonaro confirmou que pretende transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo os passos do presidente americano Donald Trump. A aproximação do Brasil com Israel no governo Jair Bolsonaro, termos de geopolítica, a tem sido vista como um sinal de alinhamento com os Estados Unidos de Donald Trump. Em matéria de apoio interno, atende ao pleito de grupos evangélicos que se baseiam em intepretações bíblicas para defender que Jerusalém deve ser “protegida” e habitada pelos judeus.

No entanto, o Brasil pode ganhar ou perder com a intenção de Bolsonaro de seguir os passos de Trump e transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém? Na economia, que setores produtivos podem se prejudicar ou ganhar espaço? E o que muda para o Brasil como ator no cenário internacional?

Uma reportagem da BBC News Brasil fez um raio-X do comércio exterior brasileiro com Israel e países de maioria muçulmana. Em termos econômicos, o peso das transações com países árabes é muito maior que o comércio com Israel. Para determinados setores, como de produção de açúcar, carne de boi e de frango e milho, o comércio com nações islâmicas é crucial e há um temor de que a aproximação do Brasil com Israel gere retaliações do mundo árabe.

Por outro lado, Israel é um polo tecnológico e o Brasil poderia, potencialmente, se beneficiar com parcerias que incluam transferência de conhecimento científico. Irrigação para o setor agrícola, dessalinização de água em áreas de seca e segurança cibernética para uso no combate ao crime organizado estão na mira do governo brasileiro.

A guinada diplomática na presidência de Bolsonaro não tem efeitos apenas na economia. Impacta, também, a forma como o Brasil é visto internacionalmente e, por consequência, as alianças políticas que conseguirá costurar em organismos internacionais, como na Organização Mundial do Comércio (OMC) e nas Nações Unidas (ONU). Atualmente, é com países árabes que o Brasil tem contado em votações internacionais importantes.

“Em todos os foros multilaterais, sempre que o Brasil precisa formar maioria, seja na OMC ou na ONU, ele negocia essa maioria com países da América Latina, que são 30 votos, com os da África, que são 50 votos e com os países do Oriente Médio, que são dezenas e dezenas de votos”, explica o professor de Relações Exteriores da Fundação Getúlio Vargas Matias Spektor, que já foi pesquisador do Woodrow Wilson Centre, em Washington (EUA), e da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

*Com informações da BBC News Brasil em Londres.

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