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Muitos cristãos não entendem o sentido do jejum, afirmam teólogos

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por Cris Beloni

 

Para Guy M. Richard, professor de teologia no Reformed Theological Seminary, em Atlanta, Geórgia (EUA), o jejum está completamente fora de sintonia com a maneira como o Ocidente aborda o cristianismo e a religião como um todo.

 

“O mundo penetrou na igreja”, defendeu como a principal razão pela qual o jejum não é tão familiar para os cristãos do século 21. “Precisamos nos lembrar de que Jesus não está interessado em que os cristãos simplesmente realizem movimentos”, disse. Para o professor, jejuar não pode ser um ritual vazio e nem a oração deve ser mecânica.

 

Para a escritora Jennifer Eivaz o jejum é um “divisor de águas” e uma forma de intercessão ininterrupta. “Quando Jesus falou aos seus discípulos, disse claramente ‘quando você ora’ e ‘quando você jejua’. Então, tanto a oração quanto o jejum são disciplinas essenciais para os cristãos”, esclareceu em entrevista ao Christian Post.

 

“Quando se está jejuando, e isso está ligado à oração, muitas pessoas não percebem que está fazendo do seu próprio corpo físico um sacrifício e quando você faz isso você está literalmente em uma oração contínua”, disse Jennifer que é pastora na Harvest Christian Center em Turlock, Califórnia.

 

Jejum de 24 horas

 

“Imagine o poder do jejum por um dia inteiro. São 24 horas de oração direta. Tal disciplina produz avanços e superam a oração comum em níveis muito mais altos”, continuou a pastora.

 

Para ela, quem não jejua simplesmente nunca teve um ensinamento sólido sobre o assunto. “Os líderes não convidam a igreja para jejuar, mas na Bíblia há muitos exemplos disso”, lembrou.

 

Sem o jejum, é provável que a igreja se oriente mais pelo entretenimento e acabe negligenciando o reino espiritual. Quando o jejum é feito como Deus prescreve, então “a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda.” (Isaías 58.8).

 

Depois de lembrar do texto bíblico, revelou que é diabética e então jejua dentro de seus limites. “Você deve trabalhar com o que você tem e o Senhor honra isso”, justificou.

 

 

Pastores precisam servir de exemplo

 

Donald Whitney, professor de espiritualidade bíblica e reitor associado de uma Escola de Teologia do Seminário Teológico Batista do Sul, em Louisville, Kentucky, concorda com os teólogos que têm defendido o jejum, nos últimos anos.

 

 

“O jejum aparece na Bíblia com mais frequência do que o batismo”, disse. Para Whitney, os pastores devem ensinar essa prática porque as pessoas não vão fazer o que não foram ensinados a fazer.

 

 

“É difícil ser um defender, no púlpito, de algo que nem você está fazendo. É difícil levantar-se para incentivar as pessoas a jejuarem se você não estiver jejuando. O mesmo vale para o culto familiar ou para qualquer outra prática”, frisou.

 

Ele prosseguiu explicando que há muitos propósitos para o jejum e que o mais comum é fortalecer a oração. “Para o jejum ser feito corretamente, deve haver um propósito bíblico”, enfatizou. “Além disso, não é ideia da igreja, nem de uma figura histórica, é uma ideia de Deus”, sublinha.

 

Como jejuar corretamente?

 

“Se quando você sente fome, seu estômago ronca e sua cabeça dói, você diz: ‘cara, eu estou com fome’, e seu próximo pensamento é ‘isso mesmo, eu estou jejuando hoje’, e depois vem o próximo pensamento: ‘quanto tempo falta para acabar?’. Se você faz assim, está fazendo errado”, lamentou.

 

 

Para que seja feito corretamente, o pensamento deve seguir as dores da fome. “Você deve pensar que está jejuando por uma causa ou por alguém, e então deve orar”, esclareceu. “Sua fome serve para um propósito maior”, acrescentou.

 

 

Se não for assim, o jejum será apenas algo a ser suportado. “Pensamos que estamos impressionando a Deus quando sofremos. Esse deve ser provavelmente o erro mais comum daqueles que praticam o jejum”, disse.

 

 

Ele considera a prática tão importante que exige que seus alunos façam jejum duas vezes por semestre. Mas não impõe isso com rigidez, além de considerar que pode haver estudantes grávidas ou diabéticos, e a intenção não é colocar a vida de ninguém em risco. A intenção é que as pessoas cresçam espiritualmente.

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