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Ruanda: quando o amor supera o ódio

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Foto: Anne Marie Uwimana (BBC News)

O genocídio que aconteceu há 25 anos também gerou uma onda de perdão e libertação

Por Cris Beloni

O povo de Ruanda, país que fica na África Oriental, viveu um de seus piores momentos em 1994. O genocídio que matou cerca de 800 mil pessoas em apenas 100 dias, teve motivações políticas e religiosas. Na época, os extremistas étnicos hutus se rebelaram após a queda de um avião que transportava seus governantes. Eles acusaram a minoria tutsi pelo incidente.

O conflito racial entre hutus e tutsis é antigo. Não havia nem mesmo casamentos entre eles, para não que não houvesse “contaminação” das castas sociais. Resumidamente, as guerras entre os dois grupos se deu por uma disputa de poder. A minoria tutsis já esteve no governo por muito tempo e era considerada a “classe alta”, enquanto a maioria hutus era composta pelos mais pobres.

Na época do genocídio, segundo a BBC News, quem governava o país eram os hutus. Um grupo rebelde de exilados tutsis quebrou um acordo de paz estabelecido em 1993, e começou uma verdadeira carnificina. Estima-se que 134 milhões de dólares foram desperdiçados contra uma das nações mais pobres do mundo.

Os tutsis foram perseguidos até a morte. O próprio povo se matou entre si, motivados pelo ódio racial. A “desculpa” para assassinar seus compatriotas era banal: você matou nosso presidente! A queda do avião que levava os políticos foi uma grande motivação para a violência, mesmo sem haver provas de quem havia sido o culpado. Os próprios cidadãos invadiram vilarejos e cidades por todo o país para fazer a matança. Quase todas as mulheres tutsis foram estupradas.

 

Quando o amor supera o ódio

Existem relatos de muitos hutus que ajudaram os tutsis a escapar das perseguições. Um caso notório foi o do gerente do Hotel Mille Collines, em Kigali, que salvou 1.268 vidas, abrigando-as em suas instalações. Paul Rusesabagina ficou mundialmente conhecido ao ser retratado no filme Hotel Ruanda.

Depois de 25 anos, ainda se pode ouvir histórias dos sobreviventes. Nesta semana, uma reportagem da BBC News, apresentou o relato de Anne Marie Uwimana. Ela sobreviveu, mas viu a maior parte de sua família morrer. Dois de seus filhos foram massacrados pelas mãos de seu próprio vizinho, Celestin Habinshuti. Seu filho mais velho, Innocent, tinha apenas 11 anos de idade.

“Ele era um menino tão inteligente e prometeu que sempre cuidaria de mim. Ele era bom demais para esse mundo”, relatou. “Quando me lembro de tudo, sinto como se meu coração fosse partir”, continuou. Celestin passou 10 anos na prisão pelos crimes cometidos e quando se viu livre, a primeira coisa que fez foi pedir perdão. “Eu era um assassino selvagem. Pedi perdão a todos os sobreviventes”, confessou Celestin.

Anne desejou mata-lo também, mas um padre a convenceu a perdoá-lo. “Ele me disse que eu tinha a chave para libertá-lo de sua culpa e que Celestin também tinha a chave para me libertar”, recordou. O padre disse a ela: “Se você acredita nisso, com a ajuda de Deus você será curada”. E assim aconteceu. Até os dias de hoje, porém, existem no país os mesmos problemas étnicos e religiosos.

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