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As pedras clamarão, lamenta assessor de Bolsonaro sobre incêndio da catedral de Notre-Dame

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O incêndio da catedral de Notre-Dame de Paris chocou o mundo pela importância histórica do templo de 856 anos. Para o assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, o evento é uma prova da decadência da civilização ocidental, acelerada pela secularização.

A França é um país milenar com história intrinsecamente ligada ao cristianismo católico, mas ao longo do último século, vem sofrendo uma intensa transformação social, com a secularização e o abandono das tradições religiosas. Além disso, nas últimas décadas, se tornou o principal destino de imigrantes muçulmanos.

Filipe Martins, que aconselha Bolsonaro em assuntos internacionais, usou sua conta no Twitter para comentar o evento com um versículo do evangelho de Lucas: “E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão” (19:40).

Ao jornal O Globo, Filipe Martins afirmou que fez a citação como um lembrete de que “é preciso dar mais atenção e ter mais cuidado com a nossa civilização”, pois “o ocidente está sendo destruído, mas quem quer que diga isso é alvo de chacota”.

Martins, que é católico, acrescentou ainda que o trecho usado por ele é parte da liturgia do Domingo de Ramos (celebrado anteontem) na tradição da Igreja romana. “Quando pedem a Jesus que ele repreenda aqueles que o louvavam como o messias, ele responde com essas palavras. Nesse contexto, eu tomei emprestada essa referência para dizer que há um claro descuido com o nosso legado histórico e civilizacional e que, se não lembrarmos disso, seremos lembrados pelas ‘próprias pedras’, como está acontecendo neste caso ou aconteceu no caso do Museu Nacional”, contextualizou.

Maria Clara Bingemer, teóloga e professora da PUC-Rio, comentou a publicação em entrevista ao jornal, afirmando que a passagem bíblica é uma referência à hostilização sofrida por Jesus da parte do povo de Israel, quando o nazareno responde prevendo a queda do templo de Jerusalém.

“A Bíblia é um texto vivo e aberto a interpretações, mas acredito que essa seja uma visão um pouco apolítica que exime os seres humanos de suas culpas”, opinou.

O assessor de assuntos internacionais, assim como o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, são ligados ao filósofo Olavo de Carvalho. Ambos têm afirmado em artigos e entrevistas que a civilização ocidental judaico-cristã está sob a ameaça do chamado “globalismo”, que pretende substituir as tradições nacionais e religiosas de cada país por um pensamento homogêneo. O mesmo tipo de alerta vem sendo feito há anos por pastores como Silas Malafaia e Marco Feliciano (PODE-SP).

*Com informações de O Globo.

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