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Liberdade religiosa é considerada crime no Irã

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A comunidade cristã iraniana continua sofrendo diversas violações em seu direito de expressar sua crença e fé. A vigilância contínua de cristãos pelas autoridades é, muitas vezes, acompanhada de assédio

Líderes políticos e religiosos do Irã continuam a falar contra o cristianismo. Não é de surpreender, portanto, que a comunidade cristã sofra repressão de várias maneiras. O serviço de inteligência iraniano (MOIS) monitora de perto a atividade cristã e, em conjunto com a Guarda Revolucionária (IRCG), tem invadido reuniões de cristãos em residências, prendendo todos os presentes e confiscando bens pessoais. Os detidos têm sido submetidos a interrogatórios intensos e quase sempre abusivos. Em junho de 2018, Fatemeh Mohammadi, convertida ao cristianismo, divulgou uma carta detalhando o interrogatório sexualmente abusivo pelo qual passou quando foi detida na prisão Evin, em Teerã. Ela conta que durante o interrogatório, os guardas afirmavam que ela teria tido relações sexuais ilícitas (que no Irã é passível de pena de morte para mulheres). Apesar de ser presa por “pertencer a grupos evangélicos”, “engajar-se em atividades cristãs” e “agir contra a segurança nacional através da propagação contra o regime”, Fatemeh, foi duramente interrogada por motivos ilícitos. “Eu não entendo porque me incriminavam disso, acho que era só para me humilhar e ter do que se divertir”, disse em sua carta.

Igrejas domésticas e cristãos ex-muçulmanos são o principal alvo do regime

Por quase uma década, os cristãos persas, geralmente convertidos do islã, têm sido proibidos de entrar em prédios de igrejas oficiais. Consequentemente, eles têm sido forçados a recorrer a reuniões informais, normalmente chamadas de “igrejas domésticas”, que regularmente são alvos das forças de segurança. Esta proibição e o subsequente alvejamento das igrejas domésticas não apenas constituem uma violação ao direito de liberdade religiosa e crença, mas também ao direito de assembleia e associação pacíficas, garantidas por lei no Irã.

Não só a proibição continuou em 2018 como houve também relatos regulares de invasão de igrejas domésticas, com um surto durante os meses de novembro e dezembro de 2018, quando foram relatadas prisões nas cidades de Ahvaz, Chalus, Damavand, Hamedan, Hashtgerd, Karaj, Mashhad, Rasht, Shahin-shahr e Teerã. Em apenas uma semana, 114 cristãos teriam sido presos.

Para um dos especialistas envolvidos no relatório, o número de cristãos convertidos do islã aumentou e isso tem alarmado as autoridades iranianas. “Eles começaram a impor mais restrições às igrejas, especialmente àquelas frequentadas por cristãos ex-muçulmanos. O governo também continuou sua política de empobrecer ativamente os cristãos, pedindo quantias exageradamente altas de fiança”.

Observando que sentenças de prisão mais longas estão sendo dadas, ele acrescentou: “Mais pessoas são presas. O processo judiciário é mais longo e geralmente com ameaças de coagi-los a deixar o país. Aqueles que recebem sentenças altas são cristãos perseguidos que se recusam a ser intimidados e deixam o país após suas primeiras prisões. No entanto, há sinais de que sentenças de prisão de cinco anos ou mais agora são comuns para pessoas presas pela primeira vez”.

Cristãos presos

Vários cristãos iranianos estão cumprindo pena de prisão ou foram soltos em 2018. Alguns apelaram de suas sentenças durante o ano. Entretanto, com poucas exceções, as condenações foram mantidas.

Em janeiro de 2018, Nasar Navar Gol-tapeh foi detido e começou a cumprir uma pena de dez anos na prisão Evin por “agir contra a segurança nacional ao formar e estabelecer igrejas domésticas ilegalmente”.

Em 2 de maio de 2018, Yousef Nadarkhani, Yaser Mosibzadeh, Zaman (Saheb) Fadaie e Mohammadreza Omidi foram informados que as penas de dez anos, dadas em 14 de junho de 2017 na 26ª Repartição da Corte Revolucionária de Teerã, por “agirem contra a segurança nacional ao propagar igrejas domésticas e promover o cristianismo sionista” tinham sido mantidas. Em 22 de julho de 2018, dez policiais foram à casa de Yousef Nadarkhani e agrediram fisicamente seu filho, Daniel, quando este abriu a porta para eles. Tanto Yousef quanto Daniel foram agredidos com armas de choque, embora não tenham oferecido resistência. Mohammadreza Omidi e Zaman (Saheb) Fadaie foram presos em 24 de julho e Yasser Mosibzadeh em 25 de julho, antes de serem levados para a prisão Evin para cumprir suas penas. Eles não tinham recebido intimações oficiais antes de serem detidos.

Em 25 de abril de 2018, houve uma audiência de recurso preliminar para o reverendo Victor Bet Tamraz, de etnia assíria, e para os convertidos ao cristianismo Kavian Fallah Mohammadi, Hadi Asgari e Amin Nader Afshari. Victor, Kavian e Amin foram detidos em uma celebração de Natal particular, em 26 de dezembro de 2014. Amin foi detido novamente em um piquenique em agosto de 2016, juntamente com Hadi e com Ramiel Bet Tamraz. Em junho de 2017, o juiz Ahmadzadeh condenou o Rev. Victor, Kavian e Hadi a dez anos cada por “realizar evangelismo e atividades ilegais de igreja doméstica”. Amin foi condenado a 15 anos de prisão por “realizar evangelismo, atividades ilegais de igreja doméstica e insultar as santidades islâmicas”.

Em 6 de janeiro de 2018, Shamiram Issavi Khabizeh, esposa do reverendo Victor Bet Tamraz, foi condenada a cinco anos de prisão por “associação a um grupo com o propósito de perturbar a segurança nacional” e outros cinco anos por “reunião e conspiração para cometer crimes contra a segurança nacional”. Há um recurso em andamento; já houve a primeira audiência da Corte de Apelações.

Em maio de 2018, Majidreza Souzanchi Kushani, um convertido ao cristianismo detido na prisão Evin, foi condenado a cinco anos de prisão por “associação a grupos evangélicos e evangelismo”. Majidreza e Fatimeh Mohammadi, também convertidas, foram detidas em novembro de 2017.

Em 20 de junho de 2018, 12 convertidos de Bushehr receberam penas de prisão de um ano cada por “atividades de propaganda contra o regime por meio de formação de igrejas domésticas”. Eles também ficaram sob intensa pressão para renunciar sua fé.

Em 11 de julho de 2018, Ramiel Bet Tamraz, filho do reverendo Victor Bet Tamraz, foi condenado a quatro meses de prisão por “disseminar propaganda cristã”. Ele está recorrendo da sentença.

Em 22 de setembro de 2018, Zaman (Saheb) Fadaie — que já cumpre pena de dez anos na prisão Evin — recebeu uma sentença de 18 meses por “disseminar propaganda contra o regime”. Fatimeh Bakteri recebeu uma sentença de 12 meses pelo mesmo motivo.

Escreva para um cristão preso no Irã

Você pode enviar cartões de encorajamento para presos no Irã. Essa é uma das formas de servir aos cristãos perseguidos. Seja um instrumento de Deus escrevendo para eles.

Para saber como, acesse: https://www.portasabertas.org.br/artigo/cartao

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