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Ame-se, e amarás…

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Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros. (1 João 3.11)

Desde o princípio é para João, a condição substancial da sua carta. Pois, desde o princípio, remonta a ideia de que tudo o que Deus criou é bom. Ou seja, desde o princípio de todas as coisas, a condição da benevolência é estratificada como a verdade do Evangelho. De maneira que, amar seja o “meio” pelo qual se realize a existência humana e, inclusive cosmológica. O pecado, doutrina prescrita pelo cristianismo – reverbera à condição humana e todo dessecamento da fonte de vida – de forma que, temos apenas um breve relampejo acerca do amor. O amor é parte constituinte da vida, mas de longe sua essencialidade é operosa.

Não por menos, tantas evidencias da injustiça. Isso mesmo, injustiça – e deve-se aferir o termo injustiça sob todos os aspectos. Visto que, o antagônico ao amor não é o desamor, mas a injustiça. Pois, onde não há amor – evidentemente haverá injustiça. Não por menos que, Cristo se torna a “justiça de todo aquele que crê”. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê. (Romanos 10.4).

A questão do amor – passa então a ser não mero decorativo na vida. Mas, é o subsídio mais necessário e importante à vida. O amor é em sua essência, a matéria prima para o bem. O amor é criador – enquanto, a injustiça destruidora, “como Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e o fez porque suas obras eram más, e as de seu irmão, justas (1 João 3.12).

O amor é, em sua função criadora e sustentadora de todas as coisas – o bem maior da vida como um todo. Não por menos, Agostinho de Hipona, um dos pais da Igreja, afirmar que; “tudo que realizamos na vida é uma busca constante por amor”. Imagina isso, a ação humana é por si uma propensão amorosa até mesmo inconsciente. Não falo de amor por racionalismo, nem por romantismo, nem mesmo por sentimentalismo – mas em essência como qualidade de vida, (o sentimento e a consciência do bem) do conteúdo que permite a fluência da vida. De forma que, sem amor não existiria a vida – “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi à tarde e a manhã, o dia sexto”. (Gênesis 1.31).

A vista do amor – a obra da criação de Deus em seu sexto dia, se deu por tudo muito bom. O amor não causa o não bem, o não bom. É, por conseguinte, a sustentação de tudo – tudo existe em si mesmo pelo amor. Não por menos, João escrever nesta sua primeira carta, “desde o princípio” não menos que sete vezes. “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida” (1 João 1.1)

Dede o princípio – não se refere a cronologia, mas sim a Cristologia. Desde o princípio, antes mesmo da fundação do mundo, Cristo está manifestado em amor. Ele é o criador e sustentador de todas as coisas – de forma que, sem ele nada do que se fez subsiste, até mesmo a vida.  

Ele, Cristo – é o chão da existência humana carente de amor. Do amor de Deus. De forma que Jesus ao proferir que o Reino de Deus está “dentro” de cada um (ou não), ele prescreve que o amor do benevolente Senhor é que condiciona a vida de seus súditos. Não o sistema religioso, o sistema político ou a cultura. Por isso que, o amor é constrangimento de sentimentos que se encontram mutuamente para o bem. Nisso, a caminhada cristã se torna indispensável. Jesus disse, “segue-me”. Ele queria apenas que aqueles homens (discípulos) estivessem com ele e vice-versa. É a consolidação e intensificação de “relacionamentos” saudáveis e respeitáveis como chão proliferador do amor que sustenta todas as coisas. E, assim é da parte de Deus. A expansão de qualquer relacionamento possível. O amor é a fonte de tudo. Evangelho pressupõe relacionamentos e não outra coisa. Uma caminhada amigável existencialmente. Se não há caminhada recíproca e respeitosa por conta do Evangelho (entenda que Evangelho não é uma doutrina, mas a própria pessoa de Jesus), então não há mais nada, exceto – doutrinas estéreis, e habilidades de homens.

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. (João 13.34)

Amar a si é necessariamente saudável e – revela equilíbrio emocional, patológico e relacional (tem caráter ético). O contrário também é verdadeiro. O não amar a si é uma disfunção da própria vida existencial. Contudo, que não seja esse amor, hedonista – ou seja, egoísta. Hedonismo do original grego Hedonê – prazer. Qual representa na mitologia grega, a filha de Eros e Psiquê, qual deu origem a “doutrina filosófico-moral que afirma que o prazer é o bem supremo da vida humana”. Prazer como o próprio “sentido da vida”. Não podemos superfaturar ou menosprezar a validade do amor, a ponto de trocá-lo apenas pelo mero prazer, do “prazer como fim em si mesmo”. O prazer deve consistir apenas na subserviência; “amai-vos uns aos outros como eu vos amei (João 13.34).

O prazer como fim em si mesmo, como tão facilmente apregoado pela sociedade pós-moderna e pós-cristã pode tornar qualquer pessoa ácida, irreverente, incorrigível e mesmo inflexível na relação daquilo que é “diferente” de si. Ou seja, “as coisas devem ser do meu jeito – ou não são”. Isso é bem infante, imaturo (…).

O apóstolo Paulo, ao término de 1 Coríntios 12, orienta aos fiéis no verdadeiro evangelho. Diz ele; (…) passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente (1 Coríntios 12.31). Esse caminho é o amor – “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado. Se não tiver amor (…)”. (1 Coríntios 13.1-3).

Que possamos aprender a lei natural do amor. Num primeiro momento, necessariamente, do amar-se, e, então depois, de amar (…). Por certo a vida ficará mais leve, e Cristo muito mais real para cada vivente.

*Fábio Cândido, professor, pastor, Teólogo e Filósofo.

 

 



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