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Quem é o pastor Raymond Koh?

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Quatro anos após o sequestro, a família e os amigos do pastor Raymond Koh continuam procurando por respostas

Prestes a completar quatro anos de sequestro, conheça um pouco mais sobre a história do líder cristão na Malásia

No dia 13 de fevereiro completa quatro anos que o pastor Raymond Koh foi sequestrado na Malásia. O líder foi tirado do carro e levado por pelo menos 15 homens mascarados, em plena luz do dia. Até hoje, a família não desistiu de encontrá-lo e as buscas pelo pastor continuam ativas. Durante os próximos dias, falaremos mais sobre o caso e convidamos a todos a orar pela vida e família do líder cristão desaparecido.  

Embora muitas pessoas ao redor do mundo saibam sobre o sequestro do pastor Koh, muitos só o conheceram após seu desaparecimento. Hoje, traremos relatos de amigos e familiares, que contam mais sobre quem é Raymond Koh – um marido, um pai, um amigo e um irmão em Cristo. 

Um menino da aldeia que ama música e o Senhor

Keng Joo Koh, que depois ficou conhecido como Raymond Koh, nasceu em 2 de novembro de 1954. De uma família muito pobre, ele tem três irmãos e cinco irmãs. “Koh frequentemente se descrevia como um típico menino da aldeia, sempre aventureiro, travesso e cheio de energia. Era comum que o jovem chegasse em casa com arranhões e feridas das brincadeiras e aventuras na rua”, contam Lee Hwa Beng e Stephen Ng, dois velhos amigos de Koh.

Na juventude, pastor Koh aprendeu a tocar violão e a cantar ouvindo músicas seculares nas rádios. De acordo com os amigos, ele escrevia as letras das músicas de bandas favoritas em um papel para decorá-las mais rápido. Quando era adolescente, teve um encontro com Jesus e passou a escrever canções de louvor e adoração a Deus. O maior objetivo dele era escrever músicas no idioma local, para que os cristãos malaios também pudessem adorar ao Senhor na própria língua.

Susanna, esposa do pastor Koh, compartilha que ele é profundamente espiritual: “Ele sempre liderava as devoções familiares, pegando o violão e tocando uma canção de adoração. Ele sempre memorizava as Escrituras e fazia a leitura bíblica. Ele é muito disciplinado e consistente na caminhada. Ele não só fala sobre isso, mas ele faz isso. Ele anda conforme a palavra”. 

Começando uma família com Susanna

O pastor Raymond Koh viu Susanna pela primeira vez durante uma conferência em Singapura, mas eles não interagiram até se encontrarem em uma ação da Operação Mobilização (OM), em um navio. Tanto o pastor Koh quanto Susanna se voluntariaram. Ela ajudava na despensa, enquanto o pastor trabalhava no departamento de engenharia. Durante esse período, os dois tiveram pouco contato. 

Após trabalharem juntos durante anos em prol do reino de Deus, o pastor Koh e Susanna se casaram 

As coisas começaram a mudar em 1981, quando Susanna passou a ajudar no escritório da OM, onde Raymond era o diretor nacional. Depois de um ano conhecendo-a mais de perto, Raymond pediu Susanna em casamento. Os dois se casaram e um ano depois tiveram o primeiro filho, Jonathan. Em 1985, um ano após o nascimento de Jonathan, Susanna deu à luz a Esther. Onze anos depois, o casal teve a terceira filha, Elizabeth. A filha do meio lembra que, quando era pequena, o pastor era presente e atencioso. “Ele cantava para nós e estava sempre preocupado conosco, certificando-se de que comessemos e estudássemos bem”, conta a segunda filha do líder.

Vida na Nova Zelândia

Após o nascimento de Esther, a família foi para a Nova Zelândia. Eles passaram três anos e meio em Auckland enquanto o casal estudava teologia. Eles também lideraram uma sociedade asiática, que mais tarde se tornou uma igreja onde eles serviram como pastores.

Nas primeiras semanas de chegada na Nova Zelândia, eles perceberam que precisavam de um carro, mas era muito caro – o triplo do que podiam pagar. Mas o pastor Koh não se assustou, dizendo que viveriam pela fé e orariam para que Deus suprisse as necessidades. Milagrosamente, Deus respondeu e providenciou um carro para eles.

“Vivemos pela fé. Não temos um salário fixo, então devemos confiar em Deus para atender às nossas necessidades diárias. E Deus nunca falhou conosco. Ele (Koh) era o líder da família, então sempre orávamos juntos. E sempre ficamos tão surpresos com a forma como Deus atendia às nossas necessidades no momento em que realmente precisávamos”, testemunha Susanna.

O pastor Raymond Koh sentiu o apelo de Deus para que eles voltassem à Malásia. Eles se mudaram de volta na década de 1990, onde pastorearam uma igreja em Subang Jaya pelos 13 anos seguintes.

Apaixonado por pessoas

Além do dom da palavra, o pastor Raymond também é conhecido por ter compaixão pelas pessoas. Esther se lembra que o pai uma vez a aconselhou a gastar tempo com as pessoas. “Ele disse que é importante gastar tempo com as pessoas, o que ele quer dizer é apenas passar tempo com as pessoas, conhecê-las, porque, para ele, as pessoas são a prioridade número um”, conta. 

Pastor Koh, a esposa Susanna e os três filhos do casal na formatura da filha Esther 

Susanna lembra que uma vez Raymond foi à casa de uma amiga pedir uma camiseta emprestada, porque tinha doado a que estava usando. “Ele tinha dado sua própria camiseta a um morador de rua. Ele é muito simples. Ele não se importava de simplesmente desistir da própria roupa por outra pessoa”, diz a esposa.

A família contou que o pastor Koh estava andando pelas ruas de Kuala Lumpur e acidentalmente esbarrou em alguém que lhe devia dinheiro. “Quando o homem viu Koh, ele quis fugir, mas o pastor conseguiu detê-lo, e deu-lhe um abraço. O homem ficou totalmente chocado e o líder cristão disse a ele: ‘Não se preocupe com o dinheiro. Como você está?’ Ele só queria descobrir como o homem realmente estava”, relembra Susanna.

Um amigo próximo do pastor Koh, Sri Ram, diz: “Tendo vindo de uma família pobre, Raymond entendeu as necessidades dos pobres e dos negligenciados. Qualquer coisa que ele pudesse imaginar fazer para as comunidades marginalizadas, ele faria”. Tal compaixão levou o pastor Koh a iniciar a Comunidade Esperança (Harapan Komuniti, na língua local), uma instituição de caridade que trabalha com os desprivilegiados de todas as comunidades, independentemente de raça e religião. Isso inclui pessoas com doenças sexualmente transmissíveis, usuários de drogas em recuperação, mães solteiras e os filhos delas, e moradores de rua.

Perseguido por amor a Cristo

O pastor Daniel Ho, da Igreja Metodista Damansara Utama (DUMC, na sigla em inglês), conhece o pastor Koh há mais de 30 anos. “Eu sei o bom trabalho que ele tem feito para a comunidade marginalizada. Ele é um amigo muito bom, um homem maravilhoso; humilde, altruísta e sacrificial. É despretensioso, que fez de tudo só para servir a Deus e por amor ao povo”, revela Ho.

O pastor Ho organizou um jantar de ação de graças em 3 de agosto de 2011 nas instalações da DUMC para mostrar apreço aos ajudantes e voluntários da comunidade, bem como arrecadar mais fundos para seu trabalho social. No entanto, no meio do evento, oficiais do departamento religioso JAIS (Selangor Islamic Religious Department, em inglês)

invadiram a igreja para impedir a celebração. O fato foi noticiado falsamente, o que também levou à disseminação de muitas alegações infundadas e rumores nas redes sociais.

Duas semanas depois, o pastor Koh recebeu uma ameaça de morte pelo correio, um envelope que continha cinco projéteis e uma carta avisando-o para parar de evangelizar os muçulmanos malaios. Ele também recebeu outras mensagens de ódio e ameaças pelo telefone. Mesmo assim, o pastor se recusou a responder com raiva, mostrando o verdadeiro cuidado com as pessoas, até mesmo com os inimigos.

“Eu avisei Koh, mas ele é do tipo que nunca quis ofender ninguém. Ele costumava me dizer: ‘Está tudo bem. Eles querem escrever mentiras, eles podem fazê-lo’. Também o aconselhei a processar Hasan Ali, que saiu por aí dizendo às pessoas que havia evangelizado muçulmanos. Mas o pastor Koh era um cara legal. Sua resposta foi: ‘Não é assim que fazemos as coisas’. Ele ficou quieto”, compartilha Sri Ram.

A família e os amigos do pastor Koh ainda não sabem o que aconteceu com ele desde 13 de fevereiro de 2017. Quatro anos após o sequestro, não há notícias sobre o paradeiro do líder, apenas a certeza de que ele foi vítima de desaparecimento forçado por parte do Estado, mais especificamente da Seção Especial do Departamento de Polícia da Malásia.

Fonte:Portas Abertas

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