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Testemunho

Pastor que viu rebanho dizimado por raio sobreviveu por causa das suas botas

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Dario Lima, de Arcos de Valdevez, sobreviveu porque tinha botas de borracha. Perdeu 68 cabras e cabritos.
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Maria da Graça e Dario Lima, pastores de Gondoriz, Arcos de Valdevez, fizeram 33 anos de casados a 9 de abril, data que, se até agora merecia comemoração, tornou-se motivo de desgosto: foi quando um raio lhes matou 68 cabras.

Dario andava na serra com o rebanho e falava ao telemóvel quando sentiu uma forte trovoada. Viu cair fulminadas 68 das suas cerca de 320 cabeças de gado caprino de raça bravia. Salvaram-no de morrer eletrocutado as botas de borracha. O que consola o casal de pastores, que tem três filhos, é a onda de apoio e promessas de ajuda financeira.

Após ter corrido a notícia da mortandade, já se disponibilizaram para ajudar a Ordem dos Médicos Veterinários (com angariação de fundos), a Câmara (apoio e conta solidária) e o Ministério da Agricultura. A despesa da remoção dos cadáveres foi a tutela que pagou.

“Ando triste, porque vejo o rebanho mais pequeno. Queria comprar, pelo menos, as de raça que perdi. Há um pastor de Melgaço que diz que me vende 35”, conta Dario, que completa 57 anos na segunda-feira. “Toda a gente tem sido nossa amiga. Não esperava este desastre nem que ia ser apoiado”, afirma, contente.

A mulher ainda está impressionada. “O Dario diz que as cabras nem borregaram (gritaram) e ele se não tem as botas de borracha era atingido e também ia. Um antigo presidente da Junta pôs-lhe a mão no ombro e disse-lhe: “tiveste sorte, meu filho. Se não tens as botas, já estavas debaixo da terra””, comenta.

Maria da Graça e Dario andam na pastorícia desde crianças. Conheceram-se na escola primária e nunca tiveram outro trabalho. Começaram a namorar em 1987, na festa da Senhora da Guia. Casaram no ano seguinte. “Quando ele não pode, vou eu. Na sexta-feira, até era para ir eu, mas estava um bocado mal da cabeça e foi ele. Se fosse, morria com o susto”, recorda.

Martírio

O dia que havia de ser de festa tornou-se um martírio. “Fazíamos 33 anos de casamento. Uma vizinha queria oferecer-nos um bolo e de manhã disse-lhe para não trazer. Ainda bem, porque nem lhe íamos tocar”, contou Maria da Graça.

Além das 68 cabras que morreram, quatro ficaram combalidas e várias crias ficaram sem mãe e outras sem crias. “No dia a seguir dava dó ouvi-las a borregar. Os animais sentem”, conclui.

Fonte: https://www.jn.pt/