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A nova Pompeia do Egito

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Foto: reprodução internet

Desaparecida há mais de 3 mil anos, a “Cidade de ouro” revelou diversos esqueletos e artefatos inéditos dos tempos do faraó Amenhotep III, avô de Tutancâmon.

Como dizia o filósofo chinês Confúcio: “para tentar prever o futuro, é preciso estudar o passado”. É um pensamento válido para a sociedade atual que, por vezes, flerta mais com o que está por vir do que com suas origens longínquas. Remontar sociedades antigas é como mexer com um quebra-cabeça em que cada nova informação simboliza uma peça importante que pode modificar toda uma estrutura. É o caso do Egito, que talvez seja a civilização mais estudada da humanidade e onde novas surpresas não param de acontecer. Recentemente o governo do país celebrou a descoberta da “Cidade de Ouro”, datada de mais de 3,4 anos e tida como o achado mais importante em cem anos.Segundo o Ministério de Turismo e Antiguidades, os arqueólogos egípcios estavam em busca do templo funerário do faraó Tutancâmon e nessas escavações eles se depararam com uma região repleta de tijolos de lama. Ao contrario do que os especialistas pensaram, não se tratava de uma pequena vila, mas sim de uma cidade lendária e desaparecida por milênios. Localizada em Luxor, próxima do Rio Nilo e a 700 quilômetros da capital, Cairo, a “Nova Pompeia do Egito” foi erguida durante o reinado do faraó Amenhotep III e se tornou o centro administrativo do governo na época.O estado de conservação impressionou. Dezenas de vasos de cerâmica, tijolos, hieróglifos e selos do rei Amenhotep III estavam praticamente intactos. Além dos itens, padarias, cozinhas, espaços para produção de joias e roupas indicam que lá havia um polo industrial que abastecia o Egito com seus produtos. As ruas eram estreitas e as casas tinham em média três metros de altura. Até então, não havia nenhuma evidência da existência de um complexo urbano na região.

HISTÓRIA Itens recuperados servirão de base para novos estudos (Crédito:Amr Abdallah Dalsh)

“As ruínas vão nos proporcionar um raro retrato da vida dos antigos egípcios em um momento que pode ser considerado o auge do império”, disse Betsy Bryan, professora de Egiptologia da Universidade Johns Hopkins e membro da missão arqueológica. O esforço para a reconstrução da história do Egito faz parte de um projeto ambicioso do governo para valorizar a cultura local e atrair mais turistas. Diante disso, as autoridades se dedicaram com afinco para ter êxito na recuperação da cidade de ouro. “Muitas missões estrangeiras e locais procuraram por esta cidade e nunca encontraram”, disse o arqueólogo Zahi Hawass, ex-ministro de Assuntos de Antiguidade e líder da escavação.Em nível de importância, o achado foi comparado ao do sarcófago do faraó Tutancâmon, recuperado em 1922, no Vale do Reis. Curiosamente, Tutancâmon é neto de Amenhotep III, responsável pela construção da cidade de ouro. Deste modo, os indícios inéditos podem ajudar a entender a relação conturbada da família com o trono. “A relação familiar é curiosa e pode ajudar bastante. Tudo que cerca os faraós desperta curiosidade”, ressalta Liliane Cristina Coelho, doutora em Egito Antigo e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ela também ressalta o bom estado de conservação dos materiais. “Por enquanto, eles escavaram uma área muito pequena. Então é bem provável que tenha muita riqueza escondida por lá”, diz. “Alguns artefatos estavam praticamente intactos. É incrível”.VALORIZAÇÃO Cidade perdida é vista como o achado do século (Crédito:Amr Abdallah Dalsh )Relações conturbadasA mística familiar entre Amenhotep III, seu filho Aquenáton e Tutancâmon, é um dos mistérios mais instigantes da história egípcia. Apenas um terço total da área foi escavado, mas as autoridades estudam ampliar seus esforços para encontrar o templo funerário do rei Tut. A nova peça do quebra-cabeça milenar pode ajudar os historiadores a entender como foi o governo do rei Amenhotep III e dizer se ele tem ou não relação direta com o fundamental reinado de Tutancâmon. Autoritário e controverso, Aquenáton não deixou uma boa impressão enquanto foi faraó e quase foi apagado da história. Assim, acredita-se que Tutancâmon tenha decidido fazer diferente dele e se inspirado na sabedoria de seu avô para reestabelecer ordem e harmonia no Egito. “É o que muitos historiadores acreditam, mas não temos provas. Com o avanço das escavações, é possível que surjam novas relíquias”, teoriza Liliane. Os trabalhos na cidade de ouro seguem a todo vapor, e, por essa razão, é provável que uma parte significativa deste quebra-cabeça milenar envolvendo grandes faraós esteja perto de ser revolvido.

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