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O crescimento evangélico, a próxima eleição e o pastor no STF

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Pesquisa realizada em 2020 pelo Instituto DataFolha, os evangélicos representam 31% da população (mais de 65 milhões de pessoas)

Hoje, no Brasil, nenhuma discussão política séria pode desconsiderar o crescimento massivo dos evangélicos. A fé evangélica tem se capilarizado em nosso país, estando visivelmente presente em todo o meio social. Segundo estatística divulgada pelo Instituto DataFolha, um em cada três adultos no Brasil se identifica como evangélico.  Eu, que venho de tradição evangélica – sendo apresentado e criado numa igreja Batista histórica no início dos anos 90, (quando os evangélicos eram apenas 9% da população), e que vivi o final da minha adolescência no começo dos anos 2000, quando já representavam 15,6% -, me surpreendo a cada nova pesquisa que aponta para o aumento numérico do grupo religioso no país. 

Conforme uma pesquisa realizada em 2020 pelo Instituto DataFolha, os evangélicos representam 31% da população (mais de 65 milhões de pessoas). A adesão à religião evangélica no Brasil se dá predominantemente entre indivíduos das classes mais baixas; a maioria se filia as igrejas pentecostais e neopentecostais. De acordo com o Censo Brasileiro, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estátisticas (IBGE), em 2010, 60% (25,3 milhões), dos evangélicos eram pentecostais. 

Em uma projeção linear do cenário religioso no Brasil, o doutor em Demografia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (CEDEPLAR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Eustáquio Diniz Alves, prevê que em 2036 os evangélicos chegarão a 40,3 % da população, ultrapassando os católicos, que cairão para 39,4%. Se essa projeção se cumprir, em 15 anos o Brasil se tornará uma nação predominantemente evangélica, com um número cada vez maior de jovens e crianças se juntando as suas fileiras.

Diante desse cenário a pergunta Por que os evangélicos crescem tanto? tem recebido olhares de sociólogos, antropólogos, pesquisadores e cientistas da religião. Dentre os diversos fatores desse crescimento, destaca-se a presença social das igrejas nas periferias e rincões do Brasil. Em Povo de Deus, o sociólogo Juliano Spyer descreve o modo como as igrejas evangélicas (sobretudo as pentecostais) estão abraçando as pessoas esquecidas pelo Estado. Segundo Spyer: As igrejas evangélicas funcionam como estado de bem-estar social informal ocupando espaços abandonados pelo Poder Público”

As igrejas doam cestas básicas, mediam conflitos conjugais, cuidam dos doentes, acolhem os marginalizados, visitam os aprisionados e promovem a aculturação de uma massa de pessoas invisibilidades. Até mesmo o conservadorismo evangélico, em certa medida, – conforme recentes pesquisas -, impacta positivamente famílias, inclusive jovens que estão próximos ao crime organizado e vulneráveis ao uso de drogas. 

Enquanto a fé evangélica e os evangélicos não receberem um tratamento sério por parte da sociedade como um todo e a medida que forem estereotipados como fascistas, ignorantes e autoritários,  a “revolução silenciosa” (expressão utilizada por Eustáquio para denotar a transição religiosa na qual os evangélicos assumem a hegemonia no país), ocorrerá, distanciando-os de propostas políticas identificadas como progressistas e mais centristas e aproximando-os de candidatos populistas e reacionários. Isso aconteceu em 2018, na eleição de Jair Bolsonaro que angariou os votos de aproximadamente 21 milhões de evangélicos.

Muito provavelmente a próxima eleição presidencial será definida pelo voto do eleitor evangélico. Enquanto a eleição não chega, presenciaremos a corrida dos diversos setores do espectro político para conquistar o favor e o coração dos fiéis. Como se pode ver Bolsonaro já iniciou essa corrida acenando mais uma vez ao seguimento religioso com a indicação do pastor André Mendonça para a vaga do STF – um candidato que pode vir a ser um ministro terrivelmente evangélico.

Fonte: https://veja.abril.com.br/blog/matheus-leitao/

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