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Família

‘Foi torturado’: família de pastor encontrado morto em Campo Grande não acredita em suicídio

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Ligações estranhas e marcas pelo corpo reforçam suspeitas da família de Valdenei, encontrado no córrego

Danielle Errobidarte Publicado em 27/08/2021, às 10h52

Familiares do pastor e barman Valdenei Lopes de Souza Júnior, de 28 anos, encontrado morto no córrego às margens da Avenida Ernesto Geisel, acreditam que ele foi torturado e seu corpo desovado no local. Na manhã desta sexta-feira (27), cerca de 20 familiares se reuniam na casa da mãe de Valdenei, antes do sepultamento, previsto para às 13h30.

A família optou por cancelar o velório, que ocorreria no Cemitério Memorial Park nesta manhã, devido ao estado avançado de decomposição no qual o corpo estava quando foi localizado na manhã desta quinta-feira (26). Segundo a viúva dele, de 24 anos, essa havia sido a primeira vez que o marido foi para a igreja sozinho, na noite em que desapareceu, na segunda-feira (23). Ele costumava ir com o carro emprestado da mãe ou acompanhado da filha do casal, de apenas 5 anos.

“Todo dia minha filha pergunta do pai. Ela fala ‘já são cinco horas’, que era o horário que ele chegava para ir à igreja com ela”, lamenta. Convicta de que o marido não se suicidou, Jéssica afirma que ele era querido por todos e tinha amizade com pessoas de dentro e fora da igreja. “Ele estava todo ferido na barriga, nas costas, judiaram muito dele, como se tivessem arrastado”.

A esposa rastreou o celular de Valdenei após o desaparecimento e afirma que o último lugar indicado pelo e-mail cadastrado no aparelho era no Bairro Aero Rancho. Entre denúncias falsas, a mãe de Valdenei, de 61 anos, acordou na madrugada de quarta-feira (25) com uma ligação que considerou no mínimo estranha.

“Recebíamos muitas mensagens dizendo que ele estava na rodoviária desorientado, no Bairro Dom Antônio Barbosa, e uma outra de um número privado onde passaram um endereço na Vila Nhanha da mãe de um rapaz que estava com meu filho, no Bairro Aero Rancho”, relata.

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(Foto: Henrique Arakaki – Jornal Midiamax)

Sobrinha de Valdenei, de 18 anos, era quem cuidava do aparelho celular e desconfiou a segurança no tom de voz da denúncia anônima. “Ele falava com muita convicção e ela acordou assustada, então ele disse ‘calma, tenho todo o tempo do mundo para passar o endereço para a senhora'”. Desconfiados, eles acionaram a polícia, mas, segundo a família, o suspeito foi descartado.

A jovem acredita que o tio foi morto em outro local e teve o corpo desovado no córrego. “Se quisessem só matar, tinham esfaqueado ou dado um tiro na cabeça… Queriam causar dor. Se ele tivesse inimizade com alguém, não ia ficar andando sozinho por aí, e tinha contado para o pai dele, porque eram muito próximos”, opina.

Ainda tentando se recuperar, a mãe pede para que seja feita justiça, e promete não descansar até que os culpados pela morte do filho sejam encontrados. “A gente não sabe se outras mães vão passar pelo que estou passando se os bandidos estiverem à solta”, finaliza.

Corpo encontrado em córrego

O corpo foi encontrado por populares, boiando no córrego, nas proximidades da Avenida Rachel de Queiroz, na manhã desta quinta-feira (26). Segundo a Polícia Militar, equipe fazia rondas pela região quando percebeu o movimento de pessoas nas margens do córrego e viu o corpo do homem boiando, encalhado em pedras. Enquanto o Corpo de Bombeiros era acionado para retirada do corpo, o pai de Valdenei chegou ao local e reconheceu a vítima.

Outros familiares também estiveram no local e era aguardada informação oficial da Polícia Civil de que a vítima é Valdenei. O pai relatou que o pastor saiu por volta das 19 horas de segunda-feira (23), para ir em uma reunião de pastores, depois disso não foi mais visto. Perícia e equipe da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol estiveram no local. O caso é inicialmente tratado como morte a esclarecer e deve ser investigado pela 5ª Delegacia de Polícia da Capital. No entanto, havia marcas nas costas, mas que podem ser de galhos.

Desaparecimento

O pastor sumiu na última segunda, a pé, para ir até a igreja,que fica a uma distância aproximada de um quilômetro. Quando desapareceu, Valdenei estava com uma camisa do São Paulo Futebol Clube e uma calça jogger preta. “Tinha oração na igreja, ele saiu e logo depois minha cunhada chegou do trabalho”, disse a irmã de Valdenei que mora vizinha ao irmão.

Ela conta que como Valdenei demorou para retornar da igreja, a cunhada enviou mensagem, tentou ligar, mas o celular estava desligado. Ela, então, ligou para os membros da igreja já no final da noite desta segunda e foi informada que o rapaz não havia ido ao culto.

Fonte:https://midiamax.uol.com.br/