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Cristão levados ao tribunal por motivos religiosos são absolvidos no Irã

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Da esquerda para a direita: Mohammad Ali (Davoud) Torabi, Mohammad Kayidgap, Esmaeil Narimanpour e Alireza Varak-Shah, quatro dos oito cristãos inocentados pelo crime de 'propaganda contra o país' Crédito Article 18
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O país configura no 9º lugar da Lista Mundial da Perseguição, que classifica os 50 países em que os cristãos são mais perseguidos no mundo

Oito cristãos iranianos que foram absolvidos por um tribunal em novembro foram informados de que precisam frequentar aulas de “reeducação”.

Os homens foram presos na cidade de Dezful, no oeste do Irã, em abril e acusados de “propaganda contra a República Islâmica do Irã”. Em novembro, no entanto, o promotor do Tribunal Civil e Revolucionário de Dezful disse que eles eram inocentes, pois “meramente se converteram a uma religião diferente” e “não realizaram nenhuma propaganda contra outros grupos”. O promotor também disse que, embora a “apostasia” [pregar outra religião que não seja o islamismo] possa ser punida sob a lei islâmica, não é uma ofensa criminal sob as leis do país.

Esta decisão não foi bem recebida pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, um ramo de segurança originalmente fundado em 1979 para proteger o regime islâmico do Irã e, desde então, ganhou influência significativa em outros setores da sociedade iraniana. Eles convocaram os cristãos no sábado passado e ordenaram que eles participassem de 10 sessões de reeducação com clérigos islâmicos.

A Portas Abertas, organização presente em mais de 60 países do mundo apoiando cristãos perseguidos, destacou em um relatório anual sobre a situação dos cristãos iranianos em 2021 o crescente envolvimento da Guarda Revolucionária na repressão à comunidade cristã.

Mais cristãos acusados  por ‘crenças desviantes’

Enquanto isso, os cristãos convertidos do islamismo continuam sendo levados ao tribunal por sua fé. Três homens da cidade de Rasht, no norte, Ayoob Poor-Rezazadeh, Ahmad Sarparast e Morteza Mashoodkari, enfrentam 10 anos de prisão por “envolver-se em propaganda e atividades educacionais relacionadas a crenças desviantes contrárias à sagrada Sharia” e “conexões com estrangeiros líderes”. O cristianismo é considerada uma religião ocidental e que fere às leis e práticas do islamismo vigente no país. A Sharia (significa lei) é um conjunto de leis e normas baseadas no Alcorão e na prática islâmica. 

As acusações têm sua base legal em mudanças no código penal que entraram em vigor no ano passado, que incluem “as ‘atividades educacionais desviantes contrárias ao islã’ vagamente definidas, que já foram usadas contra vários outros cristãos”.

No entanto, ao mesmo tempo, a Suprema Corte do Irã decidiu que revisará a sentença de 10 anos de prisão do cristão convertido Nasser Navard Gol-Tapeh. Nasser foi preso por ser membro de uma igreja doméstica e condenado por “agir contra a segurança nacional” em julho de 2017. Seus repetidos pedidos de novo julgamento foram rejeitados, até agora. Durante os últimos quatro anos de prisão, Nasser não ficou calado. Em sua última carta aberta da prisão de Evin, ele escreveu: “Eles querem acabar conosco [cristãos de língua persa] e fazer parecer que nunca existimos… não desistimos”.

A falta de uma posição oficial sobre a apostasia continua a levar a decisões inconsistentes nos tribunais, como neste último caso em Dezful, onde um promotor individual optou pela clemência. Porém os cristãos têm medo de que, até que uma linha oficial seja traçada, o próximo juiz possa ter uma opinião diferente. 

Fonte: Portas Abertas