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Psicóloga e especialista criticam uso de filtros das redes sociais: ‘Jamais seremos perfeitos’

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Eliana Amaral Crédito: Vanessa Dalceno
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A ex-apresentadora da Rede TV e especialista de marketing digital Eliana Amaral criticou o uso dos filtros de imagem das redes sociais. Ela fez um desabafo importante, apontando os perigos de se medir a vida através da internet. “Nunca estivemos tão adoecidos após dois anos de pandemia, onde fugimos da realidade e voltamos nossa vida para as redes sociais. Enxergamos uma realidade que não condiz em nada com o real, a maioria de nós não consegue distinguir o que é real e o que é criado”.
Por mais inofensivos que os filtros do Instagram possam parecer, eles transformaram a forma que as pessoas se enxergam. Para Eliana Amaral, a fixação por uma aparência computadorizada ou por uma vida “perfeita” retratada por algumas pessoas, pode gerar riscos físicos e psicológicos.
“O casal feliz – onde o marido é muitas vezes ausente e infiel ou a esposa omissa – faz com que o casal normal brigue mais do que o de costume, porque se eles são felizes e sem problemas teoricamente também temos que ser. A musa fitness que passa horas sem se alimentar e usa milhões de aplicativos para ficar magra faz com que a corrida pela vaga no centro cirúrgico seja disputada a tapa. A pele que vira um pêssego, alimenta a indústria dermatológica em uma corrida frenética por ter a pele sem manchas”, disse a empresária, que vai completar 42 anos nesta sexta-feira.
Eliana Amaral ainda aproveitou para incentivar o amor próprio e fez um alerta. “O fato é que retocamos a vida, a imagem e esquecemos de tocar a nós mesmos. Vamos assumir que estamos adoecendo e precisamos de cuidado. Estamos vivendo a vida metrificando-a pela internet, só que a vida não acontece dentro da tela e sim fora dela. Para quem trabalha com a imagem na frente de uma câmera e não pode retocar nada no vídeo, fica cada vez mais difícil manter a sanidade, porque jamais seremos perfeitos”.
A psicóloga Maria Rafart explicou que a distorção que as pessoas têm da própria aparência não vem de hoje. “Muitas pessoas enxergam defeitos corporais em si mesmas, até mesmo defeitos inexistentes. Podem também concentrar seu foco e atenção em determinada característica física que na sua opinião seja particularmente desagradável. O Transtorno Dismórfico Corporal, nome dado a este tipo de pensamento distorcido a respeito da própria aparência, acompanha as pessoas desde os primórdios da humanidade”.
Segundo a especialista, esta psicopatologia é muito cruel com alguns casos de cirurgia plástica. Por mais que modifiquem seu corpo, algumas pessoas simplesmente não conseguem se enxergar de forma positiva.
“É neste contexto bem antigo que surge, de forma repaginada, uma nova forma de dismorfia: a dos filtros de redes sociais. Os filtros destinados a ‘melhorar’ ou ‘repaginar’ a aparência de uma pessoa amplificam a distância entre a realidade imperfeita (e, portanto, normal) e a imagem perfeita (e idealizada) que se quer deixar aos seguidores”, disse Maria Rafart, que completou:
“Quando realidade e imagem pública se distanciam tanto, temos aí um terreno fértil que pode abalar muitas estruturas de autoestima. Quanto mais alguém se distancia na vida real daquilo que mostra no virtual, maiores são as chances de que a dismorfia amplifique os presumidos defeitos, e aumente os focos distorcidos sobre a própria aparência”.
Fonte: Assessoria