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23/05/2024

Entretenimento

Cristão sai da prisão com fé fortalecida na China

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A pressão das autoridades não conseguiu desencorajar o cristão (foto representativa) Crédito: Portas Abertas
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Tianlong foi preso em 2018 por vender Bíblias em plataformas online

O cristão Tianlong* ficou preso por um ano e seis meses e foi obrigado a pagar uma multa de 20 mil yuans (aproximadamente 2.776 dólares) por causa da fé em Jesus. Ele foi detido e condenado sob acusação de “operações ilegais” por vender Bíblias e outros materiais cristãos em diversas plataformas online na China. 

O cristão tem 40 anos, trabalha como professor particular e tem uma renda instável. Ele conheceu e se converteu na universidade e atuou como professor de Linguagem em uma escola de Ensino Médio no Centro da China. Tianlong foi o primeiro cristão da família.  

O professor não imaginava que vender Bíblias e literatura cristã causaria sua prisão. Ele começou o pequeno negócio nos anos 2000, na esperança de conseguir uma renda extra nas plataformas online. Tudo correu bem até 2018, quando a polícia o obrigou a interromper as vendas e começou a investigá-lo. 

 Fé em Jesus fortalecida 

A ação das autoridades fazia parte da legislação aprovada naquele período quanto a assuntos religiosos, o que causou o aumento do controle sobre os cristãos na China. A lei de 2018 restringiu o anúncio de venda de Bíblias. As buscas na internet daqueles que quisessem adquirir um exemplar das Escrituras levava para revendedoras chinesas específicas como Taobao e JD.com. 

Depois que saiu da prisão, o parceiro local Li* passou a visitar Tianlong como parte do ministério de presença da Portas Abertas, ou seja, acompanhamento para encorajamento, oração e discipulado de cristãos perseguidos. “Certa vez, quando nos encontramos, fiquei surpreso com o que ele me disse: ‘Você não precisa me dar qualquer ajuda porque há pessoas que precisam muito mais do que eu’”, conta Li. 

Li ficou comovido com a postura humilde, sem lamentação, de Tianlong mesmo em meio a tantas dificuldades. Ele conta que o cristão perseguido também não perdeu a coragem. “Experimentei o poder de Deus em minha fraqueza. Foi assim que eu consegui suportar a tribulação. Creio que Deus tem um lindo propósito para minha vida. No período em que estive preso, pude finalmente me acalmar e descansar nele”, disse Tianlong em uma das visitas.   

O cristão ainda lembra como se sentiu quando descobriu que seria preso. “Estava com um pouco de medo e apreensivo, mas, olhando para trás, sou grato.” Atualmente, Tianlong está participando de diversos estudos bíblicos online. Ele quer aprofundar o relacionamento com Deus e não perde oportunidade alguma para atingir esse objetivo.  

Ele até mesmo se dispôs a servir como voluntário da Portas Abertas no próximo acampamento de jovens na China.

Como é a perseguição aos cristãos na China? 

A perseguição mais evidente na China acontece em regiões onde o budismo ou o islamismo são as religiões majoritárias – qualquer pessoa que se converte ao cristianismo é vista como traidora da etnia e da família. Esses cristãos podem ser ameaçados ou mesmo feridos em uma tentativa de convencê-los a voltar para a religião da família. 

Entretanto, perseguição e discriminação estão se espalhando lentamente por grande parte da China. A meta do Partido Comunista Chinês é ter a certeza de que igrejas não façam nada inapropriado do ponto de vista oficial. No caso das igrejas oficiais, isso significa que são encorajadas a louvar e permanecer fiéis ao Partido Comunista e sua ideologia. Igrejas que alegam que Cristo é rei são vistas com suspeita, principalmente porque o cristianismo é visto como uma influência ocidental. Igrejas domésticas sempre existiram em uma área legal não clara, em que elas não são registradas nem tecnicamente permitidas, mas amplamente toleradas. Novas regulamentações continuam enfraquecendo sua condição. Menores de 18 anos continuam sendo proibidos de frequentar a igreja. A maioria das igrejas é monitorada e pode ser fechada sem aviso. 

A perseguição digital também impacta a igreja na China. Restrições aprovadas em 2018 como parte de uma lei que afeta diferentes aspectos religiosos têm tornado mais difícil para cristãos usarem a internet ou as mídias sociais para saber mais sobre sua fé. O autoritarismo crescente do governo significa que cada cidadão chinês pode ter certeza de que nenhuma de suas pegadas digitais está fora da visão do Estado. Grupos de conversa cristãos são rotineiramente fechados, e o sofisticado sistema de segurança do governo foi introduzido para atingir grupos minoritários em algumas regiões. Observadores temem que essa tecnologia seja cada vez mais usada para atingir cristãos, principalmente os de igrejas domésticas.  

O país está em 19º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2024, que classifica os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos no mundo.