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24/05/2024

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Entidades denunciam pastor por discurso de ódio contra religiões afro e islâmicas

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Representantes do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (Anaji) apresentaram uma representação criminal e uma notificação extrajudicial contra o pastor Jack, da Igreja Vintage, após um sermão em que ele associou crenças não cristãs ao demônio.

O religioso fez declarações polêmicas em um vídeo veiculado nas redes sociais na semana passada e se tornou alvo de inúmeras críticas nas redes sociais. Agora, ele poderá responder na Justiça e ainda pode ter o vídeo removido do Instagram.

Religiões afro são satânicas. Budismo, demoníaco. Islamismo, demoníaco. Entenda você que os demônios sempre farão promessas para você. Os demônios fazem promessas —e, primeiro, promessas de poder. ‘Ah, se eu fizer tal coisa, se eu fizer tal trabalho’. Umbanda, batuque é demônio. ‘Ai, mas isso é por questão racial’. Não. Religiões afro são satânicas”, afirmou Jack.

Ele também insinuou que tais religiões prometem poder aos fiéis, mas entregam derrota. Diante disso, o Idafro e a Anaji emitiram uma notificação com uma representação, alegando que o conteúdo do vídeo é “difamatório, degradante, discriminatório e criminoso”.

As entidades solicitaram a remoção imediata do vídeo ao Meta, empresa responsável pelo Instagram, onde o vídeo foi publicado. Para eles, o pastor gaúcho incitou o ódio e o desprezo às religiões mencionadas, e argumentam que esse comportamento vai contra os princípios da Constituição Brasileira e de tratados internacionais ratificados pelo país.

Segundo eles, as mensagens transmitidas no vídeo sugerem que as religiões afro, budistas e islâmicas são responsáveis por diversos problemas, incluindo sofrimento, pobreza e mortes.

O Idafro e a Anaji afirmam que o discurso do pastor ultrapassa os limites da liberdade religiosa e entra no território do discurso de ódio, que é proibido por lei. Eles alegam que o uso repetitivo de termos como “demônio” e “mundo espiritual maligno” associados a essas religiões constitui uma clara violação dos princípios constitucionais brasileiros.

Leiliane Lopes