A Nicarágua passou a proibir a entrada de turistas com Bíblias, impressas ou digitais, segundo alerta divulgado nesta semana pela organização Christian Solidarity Worldwide (CSW). A restrição vale nos postos de fronteira do país.
De acordo com a CSW, avisos exibidos em terminais da empresa Tica Bus, na Costa Rica, listam Bíblias entre os itens proibidos, junto com jornais, revistas, livros, drones e câmeras.
A entidade informou que funcionários da empresa confirmaram a regra também em El Salvador. Em Honduras, a orientação seria aplicada há mais de seis meses.
Para a CSW, a medida ocorre em meio ao aumento das restrições às liberdades civis e à repressão contra cristãos no país.
Anna Lee Stangl, diretora de defesa dos direitos humanos da organização, afirmou que a proibição de material religioso é “profundamente preocupante, dado o atual contexto de repressão”, e defendeu que a decisão seja revogada.
Um relatório da CSW de 2024 aponta 222 casos de perseguição religiosa na Nicarágua, incluindo cancelamento de eventos, vigilância policial e buscas frequentes a líderes religiosos.
O documento também registra a prisão de 46 líderes religiosos no mesmo ano, alguns mantidos sob custódia por longos períodos.
Segundo o jornal The Christian Post, milhares de organizações da sociedade civil foram dissolvidas desde 2018, incluindo grupos religiosos. Procissões públicas de fé também passaram a ser restritas.
Em março, o governo de Daniel Ortega anunciou a saída da Nicarágua do Conselho de Direitos Humanos da ONU, após a divulgação de um relatório que acusou o país de violar direitos humanos e atacar a liberdade religiosa.
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