O congregacionalismo no Brasil chegou a um marco de 171 anos em agosto de 2026, com uma trajetória iniciada pelo trabalho de Robert Reid Kalley e Sarah Poulton Kalley. O casal chegou ao país em 1855 e estabeleceu em Petrópolis (RJ) uma das bases para a expansão da fé evangélica no Brasil.
Em 19 de agosto de 1855, Sarah Kalley realizou uma aula bíblica para cinco crianças na casa onde o casal morava em Petrópolis. A atividade é considerada pelo movimento congregacional como o início da Escola Dominical em caráter permanente no país.
A iniciativa ocorreu três anos antes da organização da Igreja Evangélica Fluminense, no Rio de Janeiro. Fundada em 1858, a igreja é apontada como a primeira de governo congregacional organizada no Brasil e continua em atividade.
O trabalho iniciado pelos Kalleys também chegou a outras regiões. Em 1873, Kalley organizou a Igreja Evangélica Pernambucana, em Recife, ampliando a presença congregacional no Nordeste.
A atuação do casal também deixou marcas fora das igrejas. Kalley participou de debates relacionados à liberdade religiosa e aos direitos de pessoas que não pertenciam à Igreja Católica, em um período em que o Brasil ainda era oficialmente ligado ao catolicismo.
Entre os temas envolvidos estavam o reconhecimento de casamentos de não católicos, o registro civil e o sepultamento de pessoas de outras religiões. A atuação de Kalley ocorreu por meio de artigos, contatos com autoridades e iniciativas ligadas à comunidade evangélica.
Outro legado associado ao casal foi o incentivo ao ensino bíblico. A Escola Dominical passou a ocupar espaço importante na tradição congregacional e, posteriormente, foi adotada por diferentes denominações protestantes no Brasil.
Apesar de a história do movimento estar ligada ao trabalho dos Kalleys desde 1855, a denominação congregacional brasileira só foi organizada posteriormente. Em 1913, igrejas se reuniram para formar uma estrutura de união entre comunidades congregacionais.
Ao completar 171 anos, a trajetória congregacional no Brasil reúne igrejas, escolas bíblicas e comunidades que preservam parte da herança deixada pelo trabalho iniciado no século 19.
Mais de um século e meio depois da primeira aula bíblica em Petrópolis, a história dos Kalleys continua sendo lembrada como parte da formação do protestantismo brasileiro.
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