A Universidade Sapienza de Roma apresentou, em setembro deste ano, o primeiro livro sobre as escavações arqueológicas realizadas na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém. A pesquisa reúne descobertas sobre diferentes períodos da história da cidade e busca preservar a rotina religiosa das comunidades que dividem o local.
Intitulada “Projeto Hagia Polis: Escavações no Santo Sepulcro em Jerusalém”, a publicação reúne contribuições de mais de 40 estudiosos. O volume apresenta os primeiros resultados de um trabalho iniciado em 2019, com escavações realizadas entre maio de 2022 e outubro de 2025.
A pesquisa foi conduzida por uma equipe da Universidade Sapienza, sob a direção da arqueóloga Francesca Romana Stasolla. O trabalho integrou um projeto de restauração do piso e renovação da infraestrutura da basílica, solicitado por três comunidades cristãs: o Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém, a Custódia da Terra Santa e o Patriarcado Armênio de Jerusalém.
Pesquisa respeita celebrações religiosas
Um dos principais desafios foi conciliar as investigações científicas com as celebrações e práticas religiosas realizadas diariamente no local. Para isso, os pesquisadores adotaram o que Stasolla define como arqueologia “negociada”, um método baseado no diálogo com as comunidades que compartilham a basílica.
“O respeito por todas as liturgias foi a pedra angular desta pesquisa”, afirmou a arqueóloga. Segundo ela, a colaboração entre os pesquisadores e as comunidades permitiu desenvolver os trabalhos sem desconsiderar a importância religiosa do espaço.
A equipe precisou adaptar os procedimentos de escavação à rotina do santuário, que reúne diferentes tradições cristãs. A experiência também exigiu atenção às dimensões históricas, culturais e humanas de um dos principais locais de referência do cristianismo.
Descobertas ajudam a reconstruir a história da cidade
Os resultados permitem estudar a história de Jerusalém desde a Idade do Ferro até a época contemporânea. Para Stasolla, a pesquisa ajuda a compreender como a Basílica do Santo Sepulcro está ligada ao desenvolvimento da própria cidade.
“Não podemos pensar em Jerusalém sem a longa história do Santo Sepulcro, mas também não podemos pensar no Santo Sepulcro como algo que não esteja intrinsecamente ligado à história de Jerusalém”, explicou.
O estudo dos materiais encontrados, dos registros da escavação e de documentos históricos continua, mesmo após o encerramento dos trabalhos no local. Os pesquisadores permanecem envolvidos na análise das evidências e na consulta a bibliotecas e arquivos.
Trabalho foi afetado por conflitos recentes
A equipe também enfrentou dificuldades relacionadas à situação política e militar na região. Segundo Stasolla, os pesquisadores deixaram Jerusalém por cerca de um mês após os ataques de 7 de outubro de 2023 e voltaram a se ausentar por alguns meses a partir de fevereiro de 2026.
A experiência afetou especialmente os pesquisadores mais jovens, que precisaram lidar com os efeitos dos conflitos tanto na vida profissional quanto na pessoal.
Novos livros devem detalhar as descobertas
O primeiro volume marca o início de uma série de publicações que apresentará, em ordem cronológica, as diferentes fases identificadas durante as escavações. Antes dele, relatórios anuais sobre o projeto foram publicados na revista “Liber Annuus”, do Studium Biblicum Franciscanum.
A equipe também estuda formas de compartilhar os resultados com o público e com as comunidades religiosas ligadas à basílica.
Para Stasolla, o trabalho arqueológico envolve o compromisso de devolver à sociedade o conhecimento produzido a partir dos vestígios materiais. A pesquisadora ressalta que a reconstrução do passado depende de um esforço coletivo, que reúne arqueólogos e especialistas de diferentes áreas.
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