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10/10/2026

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Igrejas evangélicas pesam na virada à direita, diz The New York Times

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O jornal americano The New York Times publicou nesta segunda-feira (5) um artigo de opinião que aponta as igrejas evangélicas como uma das bases do avanço da direita no Brasil. O texto é assinado pela socióloga política Elizabeth McKenna.

Segundo ela, os fiéis seguem a orientação política dos pastores e votam mais por valores morais do que por interesses materiais. Para a autora, essas redes de igrejas formam hoje a base duradoura da direita.

O jornal citou o avanço da população evangélica no Brasil que saiu de de 9% em 1991, para 27% em 2022 e 35% em 2026.

McKenna lembra que o apoio evangélico à direita não veio de imediato. Os evangélicos ficaram ao lado do PT por mais de dez anos. Ela diz que a aproximação ocorre quando há um pastor presente toda semana para ligar fé e política.

Nos bairros mais pobres, afirma a autora, as igrejas pentecostais atraem mais gente do que partidos ou movimentos sociais. Três em cada quatro frequentadores vão ao culto ao menos uma vez por semana.

McKenna cita razões que levam eleitores de vários países a apoiar líderes de direita: insatisfação econômica, reação a mudanças culturais, polarização e enfraquecimento das proteções à democracia.

No caso brasileiro, ela inclui a interferência estrangeira. Segundo a autora, Lula e aliados apontam ações do governo Trump que favoreceriam Bolsonaro, como tarifas, cancelamento de vistos e verba do Departamento de Estado a grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal.

A autora diz ainda que um governo de Flávio Bolsonaro poderia aproximar Washington de Brasília. Isso abriria espaço para um possível perdão ao pai dele, Jair Bolsonaro, e anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

O artigo afirma que a direita também cresceu por meio de uma rede de think tanks conservadores, comunidades virtuais e influenciadores. Pastores, cantores gospel e youtubers reúnem públicos de milhões de pessoas, e alguns foram eleitos já no primeiro turno.

O texto diz que a direita foi melhor do que as pesquisas indicavam no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) teve 47% dos votos, contra 45% de Lula (PT). Aliados de Bolsonaro também conquistaram a maioria das cadeiras no Senado.

Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. Para a autora, uma vitória de Lula é possível, mas parece cada vez mais difícil. O caminho seria conquistar parte dos 33 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno. Ela avalia que o PT deixou de fazer, há décadas, o trabalho de base necessário para chegar a essas pessoas em três semanas.

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