Mais de 200 pessoas foram mortas em ataques a comunidades cristãs no estado de Benue, Nigéria, em meados de 2025. Militantes fulani invadiram vilarejos, incendiaram casas e obrigaram milhares de famílias a fugir. O episódio é um retrato do que se tornou rotina em várias regiões do país africano.
A Nigéria ocupa a 7ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025, ranking que avalia os locais mais hostis para cristãos. É também o país onde mais fiéis são mortos por causa da fé. Só no último ano, 3.100 cristãos foram assassinados, o equivalente a 69% de todas as mortes registradas no mundo.
Além disso, a Nigéria concentra o maior número de sequestros de cristãos. Foram 2.830 casos em um ano, 75% do total mundial. Mulheres e meninas são frequentemente vítimas de violência sexual, enquanto meninos e jovens são forçados a se unir a grupos jihadistas.
A violência não atinge apenas o norte muçulmano. O avanço de grupos como Boko Haram, ISWAP e facções radicais entre os fulani espalhou os ataques para o Cinturão Médio e até para áreas do sul, onde a maioria da população é cristã. Igrejas, casas e plantações são destruídas, deixando famílias sem sustento.
Os números de deslocamento também chamam atenção. De acordo com a Portas Abertas, mais de 16 milhões de cristãos foram forçados a deixar suas casas na África Subsaariana nos últimos anos, a maioria na Nigéria. Só no país, estima-se que 100 mil pessoas estejam vivendo em acampamentos ou escondidas, sem condições de retornar.
Os relatos de sobreviventes revelam o terror. Imma*, que perdeu familiares nos ataques em Benue, contou que só conseguiu fugir correndo sem rumo. “Eles mataram muitos do nosso povo, incluindo parentes do meu marido. Corremos sem saber para onde ir”, relatou.
A escalada da violência mostra que a falta de ação do governo nigeriano tem fortalecido os extremistas. A impunidade permite que ataques continuem sem resposta efetiva, deixando comunidades inteiras desprotegidas.
O impacto também é espiritual. Cristãos ex-muçulmanos enfrentam rejeição das próprias famílias e ameaças de morte. Muitos são obrigados a abandonar suas casas apenas por seguirem a fé em Jesus. Mesmo assim, líderes religiosos relatam que a igreja nigeriana continua crescendo, apesar da perseguição.
A situação preocupa organizações internacionais de direitos humanos, que veem na Nigéria o epicentro da violência contra cristãos. A região é considerada estratégica para a expansão do extremismo islâmico na África, o que aumenta o risco de novos ataques em larga escala.
Campanha Desperta África
A perseguição aos cristãos na África Subsaariana deixou rastros, como insegurança alimentar, traumas, pobreza e desespero. Em resposta às necessidades dos cristãos perseguidos na região, a Portas Abertas lançou a Campanha Global Desperta África (para saber mais, acesse www.portasabertas.org.br