Um ataque a tiros no Centro Islâmico de San Diego, nos Estados Unidos, deixou três mortos na manhã de terça-feira, após dois adolescentes invadirem o local. A polícia informou que os suspeitos, de 17 e 18 anos, foram encontrados mortos perto de um veículo e o caso está sendo tratado como possível crime de ódio.
Segundo o chefe da polícia, Scott Wahl, a busca pelos jovens começou cerca de duas horas antes do ataque. A mãe de um dos adolescentes procurou as autoridades após perceber que o filho havia fugido de casa com armas e o carro da família.
A mesquita, considerada a maior de San Diego, também abriga uma escola islâmica. Imagens da televisão mostraram crianças deixando o prédio acompanhadas por policiais logo após os disparos.
Entre as vítimas estava um segurança identificado por amigos da família como Amin Abdullah. A polícia afirmou que ele teve um “papel fundamental” para impedir que o ataque avançasse para outras áreas da mesquita.
“Queria defender os inocentes, assim que decidiu se converter em guarda de segurança”, declarou o xeque Uthman Ibn Farooq, amigo da família de Abdullah.
Em nota publicada no Facebook, a mesquita descreveu o segurança como “um homem valente que se sacrificou pela segurança dos demais”. O centro islâmico também homenageou as outras vítimas e afirmou que elas eram “homens de valor, sacrifício e fé”.
As autoridades realizaram buscas na casa de um dos suspeitos, identificado como Cain Clark, estudante do último ano do ensino médio. Segundo o Distrito Escolar Unificado de San Diego, ele estudava de forma online desde 2021 e não tinha histórico disciplinar.
Vizinhos disseram estar surpresos com o caso. “É incrível. Me ajudou a trazer as compras”, afirmou Marne Celaya, que conhecia a família do jovem há mais de 20 anos.
O prefeito de San Diego, Todd Gloria, afirmou à CNN que o ataque tem relação com supremacia branca. Já o diretor da organização Emgage Action, Mohamed Gula, alertou sobre o crescimento de discursos contra muçulmanos nos Estados Unidos.
“As palavras têm consequências”, disse Gula.
A polícia informou ainda que encontrou sinais de “retórica de ódio generalizado” ligados aos suspeitos. O ataque acontece em meio ao aumento de ameaças contra comunidades muçulmanas e judaicas desde o início da guerra no Oriente Médio.
Moradores da região relataram momentos de desespero. Daniel McDonald contou que ouviu os tiros de dentro de casa e, ao sair, viu ruas bloqueadas, vidros quebrados e policiais tentando socorrer um dos suspeitos.
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