O pastor Silas Malafaia criticou uma pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre violência doméstica entre mulheres evangélicas. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta semana, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo questionou os números do levantamento e afirmou que há uma tentativa de “denegrir” a imagem das igrejas evangélicas em ano eleitoral.
Malafaia declarou que apoia mensagens contra o pecado e a violência, mas rejeitou a ideia de que igrejas evangélicas acobertem abusadores. “Que pesquisa vagabunda é essa a dizer que 43% das mulheres evangélicas sofrem violência em casa? Desafio a comprovar isso”, afirmou.
O pastor também disse que líderes cristãos devem denunciar crimes. “Se teu marido te bate, é denunciar esse vagabundo, esse covarde, esse safado”, declarou. Em outro trecho, ele afirmou que a igreja transforma homens violentos. “Quantos homens chegam na igreja espancadores de mulheres e são transformados pelo poder do evangelho?”, questionou.
Durante o vídeo, Malafaia citou casos ocorridos em sua própria igreja para rebater acusações de omissão. Segundo ele, um diácono acusado de abusar da neta foi denunciado e preso. O pastor também mencionou um líder de adolescentes envolvido em uma rede internacional de pedofilia que teria sido expulso da igreja e encaminhado à Justiça.
As declarações aconteceram após a repercussão da pregação da pastora Helena Raquel no Congresso Gideões Missionários. O discurso viralizou nas redes sociais e foi compartilhado até por perfis fora do meio evangélico, reacendendo debates sobre violência doméstica dentro das igrejas.
Dados divulgados em 2025 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 42,7% das mulheres evangélicas no Brasil afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro ao longo da vida. O levantamento inclui agressões físicas, sexuais e outras formas de abuso.
Entre todas as brasileiras com 16 anos ou mais, 32,4% disseram já ter vivido violência física ou sexual em relacionamentos. O índice é maior que a média global estimada pela Organização Mundial da Saúde, que aponta 27% das mulheres entre 15 e 49 anos nessa situação.
A pesquisa também revelou que 21,1% das vítimas relataram ter sido forçadas a manter relações sexuais contra a própria vontade. Outras 32,4% disseram ter sofrido humilhações ou xingamentos frequentes. Segundo o estudo, uma em cada quatro mulheres brasileiras já foi agredida fisicamente por parceiro.
O relatório ainda aponta formas de controle dentro dos relacionamentos. Cerca de 29,1% das entrevistadas disseram ter tido celular ou computador invadidos, enquanto 17,1% afirmaram ter sido pressionadas a abandonar trabalho ou estudos.
Entre mulheres evangélicas, 49,7% relataram já ter vivido ao menos uma situação de violência ou controle. Entre católicas, o índice foi de 44,3%. Com a repercussão do tema nas igrejas, nas redes sociais e também na música gospel, o debate sobre violência doméstica voltou ao centro das discussões no meio cristão.
Assista:
https://www.instagram.com/p/DYDXJXKRuQl/
Portal Exibir Gospel