A Convenção Batista do Sul (SBC), maior denominação protestante dos Estados Unidos, aprovou na semana passada, durante sua assembleia anual em Orlando, na Flórida, uma proposta que reforça a proibição de mulheres em funções pastorais. A medida recebeu 6.028 votos favoráveis e 2.026 contrários, superando a maioria de dois terços exigida para avançar.
A proposta ainda precisará ser aprovada novamente na assembleia de 2027 para ser incorporada à constituição da denominação. O encontro reuniu mais de 11 mil delegados durante dois dias de debates, cultos e votações.
A emenda foi apresentada por Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, em Louisville, Kentucky. Segundo ele, a votação representa uma posição clara da denominação sobre o tema.
“Esta é uma oportunidade para os batistas do sul falarem em verdade, em unidade, em convicção”, disse Mohler.
Ele também afirmou: “Existe uma grande linha divisória entre o evangelicalismo liberal e o bíblico, e isso fica evidente nesta questão. A trajetória das denominações liberais é clara.”
A proposta determina a exclusão de igrejas que atuem para “afirmar, nomear ou endossar uma mulher que sirva no cargo ou função de pastora/presbítera/supervisora, especificamente pregando para a congregação reunida”.
Embora a Convenção Batista do Sul não tenha autoridade direta sobre as igrejas locais, ela pode retirar a filiação de congregações consideradas fora da chamada “cooperação amigável”. Nos últimos anos, diversas igrejas foram desligadas por manter mulheres em cargos pastorais, incluindo a Igreja Saddleback, na Califórnia.
O único posicionamento contrário durante o debate veio do pastor Doug Mize, da Carolina do Sul. Ele argumentou que a mudança não era necessária, já que a denominação já possui mecanismos para lidar com casos desse tipo.
“O que já temos funciona”, afirmou.
Mohler, porém, defendeu a necessidade de uma definição mais explícita nas regras da convenção. “Precisamos de clareza constitucional sobre essa questão”, declarou.
Os líderes da SBC baseiam sua posição em passagens bíblicas que reservam o pastorado aos homens. Ao mesmo tempo, afirmam que homens e mulheres possuem igual valor diante de Deus, mas exercem funções diferentes na igreja e na família.
“Eu sei que, em nossa sociedade igualitária, isso vai contra a corrente”, disse Mohler. Segundo ele, os batistas do sul mantêm uma “visão inestimável do papel da mulher e até mesmo da necessidade dos dons, da contribuição e do trabalho das mulheres em todas as esferas da vida”.
Além da discussão sobre o pastorado feminino, os delegados aprovaram resoluções contra a violência política, o discurso de ódio, o antissemitismo e as teorias da conspiração. Também defenderam tratamento humano aos imigrantes, ao mesmo tempo em que reconheceram a legitimidade da aplicação das leis migratórias.
Durante o encontro, os participantes elegeram o pastor Willy Rice, da Flórida, como novo presidente da Convenção Batista do Sul. Ele recebeu 58% dos votos e apoiou a proposta que restringe igrejas com mulheres em funções pastorais.
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