A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) aprovou, durante a XXI Assembleia Geral Ordinária, realizada entre os dias 17 e 19 de julho, em Salvador (BA), uma decisão que permite que pessoas homoafetivas sejam recebidas como membros das igrejas locais e, conforme critérios vocacionais, também possam exercer o ministério pastoral.
Em comunicado oficial, a denominação esclareceu que a deliberação não cria uma regra única para todas as igrejas da IPU. Segundo o texto, a Assembleia “reafirmou que cabe a cada Presbitério e a cada igreja local exercer, de forma responsável e pastoral, seu discernimento comunitário, fundamentado na oração, no estudo e no diálogo”, sobre a inclusão e a participação dessas pessoas na vida da igreja.
O Conselho Coordenador destacou ainda que a decisão mantém um princípio histórico da denominação. “A Assembleia não estabeleceu uma imposição uniforme para toda a IPU. Ao contrário, reafirmou o princípio histórico da IPU de respeito à autonomia das comunidades locais e dos presbitérios, preservando a comunhão denominacional mesmo diante de diferentes compreensões sobre o tema”, informou.
A Assembleia também reafirmou o compromisso da igreja com o combate à discriminação. O documento recomenda a rejeição de “toda forma de violência, estigmatização, exclusão ou discurso de ódio dirigido a pessoas homoafetivas” e afirma que as comunidades devem promover ambientes de escuta, cuidado pastoral e convivência.
Outro ponto aprovado foi a rejeição às chamadas terapias de reversão sexual. De acordo com o relatório, “não haja, nas igrejas da IPU, abordagens relacionadas às chamadas terapias ou tratamentos de reversão da orientação sexual”, por entender que a ação pastoral deve ser baseada no respeito à dignidade humana e no cuidado com as pessoas.
A decisão foi tomada após três anos de trabalho da Comissão Especial para Assuntos de Gênero, criada pela IPU para estudar o tema. O grupo ouviu representantes de igrejas, presbitérios e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, além de analisar documentos da denominação e promover debates antes de apresentar o relatório à Assembleia.
Em sua manifestação final, o Conselho Coordenador afirmou que a medida busca preservar a unidade da igreja. “A decisão da XXI Assembleia Geral Ordinária busca promover a unidade da Igreja sem anular a diversidade presente em seu interior”, concluiu o comunicado.
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