Milhões de gafanhotos passaram pelo distrito de Kizlyar, no sul da Rússia, e atingiram áreas agrícolas da República do Daguestão. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram os insetos cobrindo uma estrada e formando uma nuvem no céu.
A infestação também afetou moradores e motoristas, além de causar prejuízos para plantações e pastagens. A grande quantidade de insetos chegou a fazer com que usuários das redes sociais comparassem o episódio a uma das pragas do Egito, descritas no livro do Êxodo.
Especialistas explicam que mudanças nas condições ambientais favoreceram a reprodução acelerada dos gafanhotos. Com o crescimento da população, os insetos entraram na chamada fase gregária, quando passam a viver em grandes grupos e conseguem percorrer longas distâncias.
Nesse estágio, os animais apresentam mudanças de comportamento e milhões de insetos podem nascer em um mesmo período. O clima quente e seco do sul da Rússia também costuma favorecer a proliferação da espécie.
Os gafanhotos se alimentam de cascas de plantas, caules, folhas, flores, frutos e sementes. Por isso, a presença dos enxames representa uma ameaça às lavouras e às pastagens da região.
Embora não ataquem diretamente as pessoas, os insetos podem dificultar a visibilidade e carregar doenças. A grande concentração também causa problemas para quem circula pelas áreas atingidas.
O Ministério da Agricultura e Alimentação do Daguestão mobilizou equipes terrestres e aeronaves para combater os enxames. Os profissionais passaram a aplicar inseticidas nas áreas agrícolas afetadas.
As autoridades russas também adotaram medidas de emergência, com controle químico e monitoramento das áreas de risco. Especialistas acompanham fatores como clima, umidade e condições do solo para tentar prever o deslocamento dos insetos.
Em regiões protegidas, onde o uso de produtos químicos é proibido, os esforços foram concentrados nas áreas próximas às reservas. A intenção é criar uma barreira e evitar que os gafanhotos avancem para esses locais.
A capacidade de deslocamento dos enxames aumentou o nível de atenção em países próximos. Cazaquistão e Uzbequistão também passaram a monitorar a situação e utilizar drones para tentar impedir a chegada das pragas a seus territórios.
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