Nas eleições de outubro de 2026, 559 candidatos têm identidade religiosa, segundo levantamento do jornal O Globo com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa 2,7% das mais de 20 mil candidaturas registradas no país.
O total é 38% menor que o de 2022, quando 903 candidatos tinham referências religiosas. Naquele ano, eles representavam 3,09% das candidaturas, maior índice registrado neste século.
Entre os religiosos, a queda mais significativa ocorreu entre candidatos que usam os termos “pastor” ou “pastora”. O número passou de 476, em 2022, para 244 neste ano, uma redução de 48,7%.
Para Lívia Reis, coordenadora de Religião e Política do Instituto de Estudos da Religião (ISER), o resultado pode estar ligado à relação entre religião e campanhas eleitorais observada em 2022.
“Temos essa movimentação própria do campo político. Mas, em 2022, um limite parece ter sido ultrapassado de campanhas dentro de templos religiosos, o que impacta o pleito deste ano. Houve muitos conflitos, sobretudo em igrejas evangélicas. Esses espaços ainda serão usados para mobilização eleitoral, mas parece que esticaram demais a corda, vimos afastamento de fiéis”, diz.
O levantamento também identificou 87 candidatos que já haviam apresentado identidade religiosa em eleições anteriores, mas atualmente usam outra ocupação. Um deles é o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que em 2014 informou ser “sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa” e depois passou a se apresentar como deputado.
“Vemos esse movimento de candidatos que utilizaram um termo religioso, que cumpriu seu papel ideológico de mostrar para o eleitor os valores que ele defende, mas que depois isso deixou de ser necessário. Isso especialmente no cristianismo, em que há um foco maior na identidade cristã de um modo amplo, que te possibilita transitar entre movimentos mais ou menos conservadores. O fenômeno da identidade religiosa nas eleições hoje é muito maior que o nome de urna”, avalia Lívia.
Além dos 244 candidatos que usam “pastor” ou “pastora”, o levantamento encontrou 70 com a ocupação “sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa”. Outros 47 adotam “irmão” ou “irmã”, 38 usam “missionário” ou “missionária” e 32 aparecem como “bispo” ou “bispa”.
Também foram identificados 15 artistas gospel que utilizam “cantor”, 12 candidatos com “apóstolo” ou “apóstola” e 11 que usam “padre”. Todos esses grupos registraram queda em relação a 2022.
Os termos ligados ao cristianismo continuam sendo maioria entre os candidatos religiosos. Já as referências às religiões de matriz africana passaram de 26 para 27 nomes, entre eles Mãe Su de Nanã e Pai Adriano Neres, candidatos em São Paulo.
O Partido Liberal lidera entre as legendas com mais candidatos religiosos, com 61 nomes, contra 58 em 2022. Depois aparecem Republicanos, com 51, e MDB, com 43. O PT tem 17 candidatos, ante 14 no último pleito.
Rio de Janeiro e São Paulo são os estados com mais candidatos religiosos, com 61 nomes cada. Bahia tem 50, Pernambuco, 45, e Minas Gerais, 42.
Entre os 559 candidatos, 68,16% são homens e 68,16% são negros, sendo 47,41% pardos e 20,75% pretos. A maioria disputa vagas nas assembleias legislativas, seguida pela Câmara dos Deputados. Sete concorrem ao Senado e três ao cargo de vice-governador.
Portal Exibir Gospel