A União Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos (UNIGREJAS) divulgou uma nota de repúdio, em 2 de fevereiro, contra declarações do escritor e historiador Eduardo Bueno, o Peninha, que afirmou que evangélicos não deveriam votar. A manifestação foi assinada pelo presidente da entidade, bispo Celso Rebequi, em São Paulo.
Na nota, a UNIGREJAS afirma que o vídeo divulgado no YouTube contém um “discurso discriminatório” e defende que o escritor atacou a comunidade evangélica ao propor “a supressão de direitos constitucionais assegurados a esse grupo religioso”.
A entidade relembra a fala de Peninha, na qual ele diz: “Evangélico tem que ficar no culto, tem que ficar no templo… deveria ser proibido evangélico votar”. Em outro trecho, o escritor questiona: “Por que que eles têm que votar para vereador, para deputado, para senador, para presidente? Não, eles não têm que votar”.
Segundo a UNIGREJAS, as declarações “extrapolam os limites do debate democrático” ao desqualificar milhões de brasileiros por causa da fé e defender a exclusão política de um grupo específico.
A nota destaca que a Constituição Federal garante o sufrágio universal e que “nenhum cidadão pode ser privado desse direito fundamental por professar determinada crença”.
O texto também lembra que, em 2025, Eduardo Bueno foi afastado do Conselho Editorial do Senado Federal após outras declarações que tiveram ampla rejeição pública.
Ao citar dados do Censo 2022 do IBGE, divulgados em 2025, a UNIGREJAS afirma que o Brasil tem 47,4 milhões de evangélicos, o equivalente a 26,9% da população, e ressalta que esse grupo exerce “de maneira legítima, seus direitos civis e políticos”.
A entidade conclui afirmando que não aceitará “ataques, tentativas de silenciamento ou qualquer iniciativa que vise restringir direitos assegurados constitucionalmente”, e reforça o compromisso com a democracia, a liberdade religiosa e o respeito à pluralidade.
Leia na íntegra:
NOTA DE REPÚDIO
Ao discurso discriminatório contra os evangélicos
A UNIÃO NACIONAL DAS IGREJAS E PASTORES EVANGÉLICOS (UNIGREJAS) vem a público, por meio de seu Presidente, manifestar veemente repúdio às declarações proferidas pelo historiador e escritor Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, em vídeo recentemente divulgado em seu canal no YouTube, nas quais ataca a comunidade evangélica e defende, de forma explícita, a supressão de direitos constitucionais assegurados a esse grupo religioso.
Em sua manifestação, o referido historiador afirma que evangélicos não deveriam participar da vida política do País, chegando a declarar de maneira ofensiva e discriminatória:
“Evangélico tem que ficar no culto, tem que ficar no templo… deveria ser proibido evangélico votar. […] Por que que eles têm que votar para vereador, para deputado, para senador, para presidente? Não, eles não têm que votar.”
Tais afirmações extrapolam os limites do debate democrático, ao desqualificar milhões de brasileiros em razão de sua fé e ao defender a exclusão política de um grupo específico da sociedade.
A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 14, estabelece que a soberania popular é exercida pelo sufrágio universal, com voto direto e secreto, com valor igual para todos, vedada qualquer forma de discriminação, inclusive por motivo religioso. Nenhum cidadão pode ser privado desse direito fundamental por professar determinada crença.
Ressalte-se que não se trata de um episódio isolado. Em 2025, o Senado Federal anunciou o afastamento de Eduardo Bueno de seu Conselho Editorial, após declarações amplamente repudiadas pela sociedade, reafirmando que instituições democráticas não podem acolher discursos que incentivem ódio ou violência.
O ordenamento jurídico brasileiro e os tratados internacionais de direitos humanos repudiam manifestações que incentivem discriminação ou exclusão com base em religião, sendo tais condutas passíveis de responsabilização nos termos da lei.
Dados oficiais do Censo 2022 do IBGE, divulgados em 2025, apontam que o Brasil possui 47,4 milhões de evangélicos, o equivalente a 26,9% da população, formando uma das maiores comunidades evangélicas do mundo. Trata-se de cidadãos que contribuem ativamente para a sociedade brasileira e exercem, de maneira legítima, seus direitos civis e políticos.
A UNIGREJAS reafirma que não aceitará ataques, tentativas de silenciamento ou qualquer iniciativa que vise restringir direitos assegurados constitucionalmente aos evangélicos. A democracia se fortalece com o respeito à pluralidade, à liberdade religiosa e à convivência pacífica entre diferentes convicções — jamais com a exclusão.
Por fim, reiteramos nosso compromisso com o Estado Democrático de Direito, a liberdade religiosa, o respeito mútuo e a responsabilidade nas manifestações públicas, especialmente por parte de figuras com amplo alcance social.
São Paulo, 02 de fevereiro de 2026.
UNIÃO NACIONAL DAS IGREJAS E PASTORES EVANGÉLICOS – UNIGREJAS
Bispo Celso Rebequi
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