O bispo Robson Rodovalho, líder da Igreja Sara Nossa Terra, afirmou em entrevista ao jornal O Globo que o senador Flávio Bolsonaro tem perdido a confiança de parte do público evangélico por causa das informações envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi publicada nesta semana, durante conversa sobre a pré-candidatura do parlamentar à Presidência da República.
Segundo Rodovalho, o principal problema não foi o pedido de recursos ao empresário, mas a contradição entre declarações feitas anteriormente e o que veio a público depois. “Foi a contradição, evangélico é intransigente com mentira. A pior coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra”, afirmou.
O líder religioso disse que o episódio tem custado caro politicamente ao senador. “O evangélico pensa: às vezes é melhor votar num candidato que não é cristão do que um que diz ser, mas não mantém a coerência”, declarou.
Para Rodovalho, Flávio deveria ter tratado do assunto de forma transparente desde o início. Ele defendeu que o senador apresente explicações e reconheça possíveis erros. “Ele está perdendo a confiança do segmento, as pessoas estão achando que, se mentiu desta vez, pode mentir na próxima. O copo de cristal trincou”, disse.
O bispo também afirmou que o parlamentar precisa “mostrar arrependimento” e “pedir desculpas”, em vez de esperar que o tema seja esquecido com o tempo.
Além da controvérsia envolvendo o Banco Master, Rodovalho apontou outro motivo para a queda de apoio entre evangélicos: a falta de aproximação com lideranças religiosas. Segundo ele, Flávio não repetiu a estratégia adotada pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que construiu relações ao longo dos anos com pastores e líderes do segmento.
“Flávio precisa consolidar a sua própria liderança no segmento, ele não pode se considerar absoluto entre nós como foi o pai no passado”, afirmou.
Rodovalho reconheceu que parte das lideranças evangélicas preferia o governador Tarcísio de Freitas como nome da direita para a disputa presidencial. Ainda assim, avaliou que o senador precisa intensificar o diálogo com o segmento antes do início oficial da campanha.
“Ele tinha que estar fazendo exatamente o que o pai fez. Conversando com cada um de nós. Em agosto, quando a campanha começar, não vai dar mais tempo para se conectar com os líderes”, concluiu.
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