A Aliança Evangélica do Reino Unido divulgou, nesta segunda-feira, um relatório que estima em 12,3 milhões o número de adultos que são “de alguma forma evangélicos” no país. O estudo foi baseado em uma pesquisa online feita pela Whitestone Insight em fevereiro e março.
Segundo o levantamento, esse grupo corresponde a 17,6% da população adulta britânica. A definição inclui pessoas que possuem crenças evangélicas, que se identificam como evangélicas ou que reúnem as duas características.
O estudo ouviu 8.407 adultos. Desse total, 3.804 se identificaram como cristãos, enquanto 7,2% dos entrevistados foram classificados como “cristãos praticantes”, por frequentarem a igreja ao menos uma vez por mês e orarem e lerem a Bíblia semanalmente.
Entre os cristãos praticantes, 64% foram classificados como “evangélicos em geral”. O relatório também aponta que 19% dessas pessoas frequentavam igrejas católicas romanas, mostrando que a identificação como evangélico não está restrita a uma única tradição cristã.
A pesquisa usou quatro critérios para avaliar as crenças evangélicas: a autoridade da Bíblia, a morte de Jesus pelos pecados, a necessidade de conversão pessoal e a prática da fé por meio de evangelização e boas obras.
Ao todo, 14,1% dos entrevistados concordaram com as quatro afirmações. Já 11,4% disseram se identificar como evangélicos. O levantamento aponta, porém, que identidade, crença e prática religiosa não coincidem necessariamente.
O relatório também afirma que os evangélicos pesquisados são, em média, jovens e têm diversidade étnica. Entre os que concordaram fortemente com as quatro crenças, 44% tinham menos de 35 anos e 23% pertenciam a uma minoria étnica.
A Aliança Evangélica classificou como “evangélicos clássicos” aqueles que tinham fortes crenças evangélicas, se identificavam como evangélicos e pertenciam à tradição protestante. Nesse grupo, 43% tinham menos de 35 anos e 28% eram negros, negros britânicos, caribenhos ou africanos.
O diretor executivo da organização, Gavin Calver, afirmou que os resultados mostram que as igrejas evangélicas estão “prosperando”. Para ele, os dados dão confiança de que os evangélicos continuarão a influenciar o futuro da Igreja no Reino Unido.
O levantamento, contudo, recebeu críticas do professor aposentado David Voas, da University College London. Ele questionou o uso de painéis de participação voluntária e afirmou que a conclusão de que dois terços dos cristãos praticantes são evangélicos é “bastante tendenciosa”.
Voas também avaliou que os resultados são menos consistentes do que seria esperado. Ele afirmou ainda que incluir a leitura frequente da Bíblia na definição de cristão praticante torna essa proporção mais plausível, mas considerou o critério questionável.
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