O pastor André Valadão afirmou nesta segunda-feira (14), em vídeo, que a Lagoinha Global não geria as contas bancárias da igreja no bairro Belvedere, em Belo Horizonte. A unidade era comandada por Fabiano Zettel e foi alvo de um relatório do Coaf sobre movimentações financeiras consideradas atípicas.
Segundo o Coaf, a conta da igreja no Banco do Brasil movimentou R$ 57,1 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O valor é muito acima do faturamento anual presumido da instituição, de R$ 950 mil.
Fabiano Zettel é cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Investigadores apontam Zettel como operador financeiro do grupo ligado a Vorcaro. O relatório foi enviado à Polícia Federal em fevereiro e tornado público após a quebra de sigilo do caso Master.
“Cada igreja possui sua própria estrutura jurídica, administrativa e financeira”, disse Valadão. Segundo ele, cada unidade cuida de sua contabilidade, contas, receitas e despesas.
O pastor afirmou que “a Lagoinha Global não administra as contas bancárias das igrejas locais, não movimenta seus recursos, não participa da gestão financeira de cada igreja”. Segundo ele, o papel da liderança global é de “cobertura ministerial, discipulado, visão e alinhamento espiritual”.
Valadão disse que sabia de obras na igreja do Belvedere, mas não da dimensão dos valores agora revelados pelas investigações. “O que nós não tínhamos conhecimento era da dimensão dos valores e das movimentações que agora aparecem”, declarou.
Ele também afirmou que os recursos usados nas reformas não eram de dízimo, oferta ou contribuição de membros, mas sim “valores captados pelo próprio Fabiano Zettel para investir na melhoria da igreja que ele presidia”.
Zettel foi afastado das funções pastorais em novembro de 2025, quando surgiram as primeiras informações sobre o Banco Master. A unidade do Belvedere encerrou as atividades em 15 de março de 2026.
“A Lagoinha não protege prática errada, não compactuou com a ilegalidade e não tem interesse em impedir que os fatos sejam esclarecidos”, disse o pastor. Ele defendeu que a investigação siga até o fim.
Valadão pediu que “cada pessoa envolvida responda por aquilo que efetivamente fez” e afirmou continuar à frente da instituição, onde atua há 26 anos.
Assista:
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