Os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) buscam o voto evangélico por caminhos opostos: Flávio concentra sua campanha em grandes denominações pentecostais, enquanto Lula procura igrejas menores, sem grande expressão numérica, mas com histórico progressista. Os dados são de um levantamento do Estadão/Broadcast, feito a partir das agendas divulgadas pelos dois candidatos em 2026.
O foco da disputa está nos pentecostais, segmento religioso que mais cresce no país.
Flávio e as grandes denominações
Flávio é considerado favorito entre os evangélicos e passou por várias das maiores igrejas do país neste ano.
Ele começou a pré-campanha em sua própria igreja, a Comunidade das Nações, em Brasília, e no réveillon participou de um culto da Igreja Batista da Lagoinha, na Flórida.
Em abril, se encontrou com o líder da Assembleia de Deus Ministério do Belém e buscou apoio da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira. Dessa aproximação saiu a filiação do deputado Cezinha de Madureira ao PL. O parlamentar foi alvo nesta segunda-feira, 14, de uma operação da Polícia Federal sobre tráfico de influência em tribunais superiores.
Em maio, Flávio esteve com o apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, na Marcha para Jesus de São Paulo. Hernandes declarou apoio a ele em agosto.
O senador também fez duas agendas neste ano com a Igreja Mundial, de Sorocaba, que tem emissora de TV própria.
Lula e as igrejas pequenas
Lula evita entrar em templos grandes e prefere levar pastores e músicos gospel para seus próprios eventos, além de buscar igrejas pequenas e independentes com viés progressista.
Em dezembro do ano passado, quando Flávio já era pré-candidato, Lula recebeu representantes de igrejas menores, como a Nossa Igreja Brasileira e a Igreja Batista Soul, fundada pelo cantor gospel Kleber Lucas.
Em junho, o PT organizou um encontro de evangélicos ligados ao partido, sem a presença de Lula, com nomes como o deputado Henrique Vieira e a vereadora Néia Marques.
No lançamento da campanha à reeleição, em agosto, em São Bernardo do Campo, o comício teve um jingle gospel cantado por Janja e por Kleber Lucas.
Em 24 de agosto, a campanha lançou o Comitê Evangélicos com Lula, de forma virtual, para organizar apoiadores em Estados e municípios.
O movimento teve apoio de entidades evangélicas menores: em agosto, três associações assinaram cartas em favor de Lula, e em setembro um grupo criado em 1990 também declarou apoio ao petista.
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