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10/04/2026

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Ataque à comunidade cristã deixa dezenas de mortos na Nigéria

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A comunidade cristã em Jos já sofreu outros ataques de grupos armados foto: Portas Abertas
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O massacre aconteceu no Domingo de Ramos e expõe a escalada da violência religiosa no país

Mais um episódio de violência extrema contra cristãos na Nigéria, país mais violento do mundo para cristãos e o 7º país da Lista Mundial da Perseguição 2026 (LMP), que classifica os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos.

Na noite de 29 de março, durante as celebrações do Domingo de Ramos, homens armados invadiram a comunidade cristã de Angwan Rukuba, em Jos, estado de Plateau, e abriram fogo indiscriminadamente, matando dezenas de pessoas e ferindo várias outras. O ataque ocorre na abertura da Semana Santa – período em que a violência e ataques contra cristãos historicamente se intensificam no país.

Ataque brutal atinge área majoritariamente cristã

Segundo parceiros locais, a rua atacada é conhecida por ser um ponto de encontro da comunidade. Testemunhas relataram que os agressores chegaram por volta das 20 horas e dispararam repetidamente contra moradores, aproveitando a pouca iluminação da região. Relatórios preliminares indicavam entre seis e dez mortos, mas atualizações confirmam que 27 corpos foram devolvidos à comunidade – 14 mortos no local e 13 que não resistiram no hospital. O número final pode ser ainda maior, de acordo com informações da Portas Abertas, organização que apoia cristãos perseguidos.

Diante do caos, o governo do estado de Plateau decretou toque de recolher de 48 horas e a Universidade de Jos suspendeu provas previstas para os próximos dias. Em pronunciamento oficial, o governador Caleb Manasseh Mutfwang qualificou o ataque como “bárbaro” e garantiu que autoridades trabalham para identificar os responsáveis, embora nenhum grupo tenha reivindicado o crime até o momento.

Contexto de violência contínua

A região do Cinturão Médio da Nigéria vive há anos sob a ameaça de grupos armados e extremistas, que atacam rotineiramente comunidades cristãs. Reportagens internacionais reforçam que essa violência ocorre em meio a conflitos por terra, tensões étnico-religiosas e presença ativa de organizações extremistas, como Boko Haram e Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP, braço do Estado Islâmico na região).

Cristãos permanecem sob risco extremo

Para a comunidade cristã local, o Domingo de Ramos – data que relembra a entrada de Cristo em Jerusalém – se transformou em mais um capítulo de dor. Líderes relatam que parte das vítimas não era cristã, mas a região atacada é predominantemente composta por famílias que seguem Jesus, o que reforça o caráter de ataque direcionado.

A Missão Portas Abertas segue monitorando a situação e oferecendo suporte à Igreja Perseguida por meio de redes locais confiáveis.