A perseguição contra cristãos evangélicos no Irã se intensificou nas últimas semanas, após o conflito envolvendo Teerã, Estados Unidos e Israel. Segundo organizações internacionais, o governo iraniano ampliou a repressão contra igrejas protestantes e convertidos ao cristianismo, acusados de serem “agentes sionistas” e ameaça à segurança nacional.
Depois dos ataques de 2025, o Ministério da Inteligência prendeu mais de 50 cristãos evangélicos sob a acusação de serem “mercenários do Mossad”. A Comissão dos Estados Unidos para Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) afirma que as detenções fazem parte de uma política de criminalização da conversão ao cristianismo e da evangelização.
A advogada iraniana-britânica Attieh Fard avalia que as autoridades “se sentem encorajadas” pelo cenário atual e já não demonstram preocupação com a pressão internacional. Segundo ela, isso aumenta o risco para cristãos ligados, ou suspeitos de ligação, com igrejas estrangeiras.
Além das prisões, o governo também tem avançado sobre propriedades religiosas. Em junho, a Igreja Evangélica de Mashad, construída na década de 1930 e reconhecida como patrimônio nacional, foi demolida por tratores em uma operação que durou cerca de duas horas.
Na capital Teerã, a histórica Igreja Evangélica de São Pedro também enfrenta intervenção. Agentes de segurança ocuparam o prédio, identificaram os moradores e comunicaram que o imóvel será desocupado. A Guarda Revolucionária já preparou uma nova escritura colocando a propriedade em seu nome.
Embora a Constituição iraniana reconheça oficialmente a liberdade religiosa, a situação é diferente para quem deixa o islamismo para seguir o cristianismo. O governo considera muçulmano todo cidadão que não consiga comprovar ascendência familiar não muçulmana antes de 1979, o que impede o reconhecimento legal de novos cristãos.
Relatórios da Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) e da USCIRF apontam que os convertidos enfrentam prisões arbitrárias, proibição de frequentar templos e processos por evangelização. Em um dos casos citados, três mulheres permaneceram presas e incomunicáveis por 40 dias em 2023. Outro exemplo é o de um pastor condenado a seis anos de prisão por “espalhar o cristianismo” fora dos locais autorizados.
Como consequência da repressão, muitos fiéis passaram a se reunir em igrejas domésticas, consideradas ilegais pelo regime iraniano.
A Anistia Internacional também relata julgamentos sem o devido processo legal, confissões obtidas sob coação, tortura psicológica durante interrogatórios, vigilância sobre igrejas domésticas e campanhas na mídia estatal que apresentam evangélicos como infiltrados estrangeiros. A entidade afirma que essas ações se intensificaram durante a atual crise política e militar.
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Segundo as organizações que acompanham a liberdade religiosa no país, o cenário é marcado pelo confisco de templos, prisões em massa, repressão contra convertidos e acusações de espionagem contra cristãos evangélicos. A USCIRF mantém o Irã na lista de “país de preocupação especial” há mais de dez anos devido às violações da liberdade religiosa. As informações são do EvangelicoDigital.
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