A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA-sigla em inglês) aprovou, na semana passada, durante a 227ª Assembleia Geral da denominação, uma resolução que declara apoio ao chamado “cuidado de afirmação de gênero” para pessoas com disforia de gênero, incluindo jovens. A decisão foi tomada por 441 votos a 30. A PCUSA não tem ligação com a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).
A proposta, chamada GEN-02 e intitulada “Sobre o Acesso à Saúde”, afirma que o “cuidado de afirmação de gênero” é “medicamente necessário e baseado em evidências para o bem-estar de muitas pessoas transgênero, não binárias e com identidades de gênero diversas que apresentam sintomas de disforia de gênero ou sofrimento resultantes de sua identidade de gênero não corresponder ao sexo atribuído no nascimento”.
O texto também critica as leis estaduais que restringem procedimentos hormonais e cirúrgicos em menores. Segundo a resolução, essas medidas impedem que jovens “tenham acesso a cuidados de saúde seguros e necessários, respaldados por décadas de pesquisa e apoiados por todas as principais associações médicas que representam mais de 1,3 milhão de médicos nos EUA”.
Durante a votação, a reverenda Olivia Lane explicou que o comitê retirou do texto a expressão “incluindo menores”. Segundo ela, a mudança não alterou o alcance da proposta.
“Esses delegados nos pediram para considerarmos se essa frase, por mais bem-intencionada que fosse, poderia ser usada como arma para causar ainda mais danos às próprias crianças que ela mencionava”, afirmou Lane. Ela acrescentou: “O comitê ouviu esse pedido e agiu de acordo, fornecendo um parecer com o entendimento claro e declarado de que ‘todos’ significa exatamente isso. Todos, sem exceção, sem qualificação e sem limite de idade.”
Zayn Silva, integrante do Comitê de Defesa da Equidade LGBTQIA+, defendeu a aprovação da medida e declarou que “esta é uma questão de vida ou morte”. Ele também repetiu a alegação de que procedimentos de afirmação de gênero poderiam reduzir o risco de suicídio entre pessoas com disforia de gênero.
O debate em plenário foi curto. Segundo os moderadores da sessão, nenhum delegado inscrito para falar sobre a proposta se posicionou contra a resolução.
Nos últimos anos, o tema da medicalização da disforia de gênero em menores tem sido discutido em diferentes países. Em 2022, o jornal The New York Times publicou uma reportagem mostrando que profissionais da saúde e pessoas que passaram por transição de gênero manifestaram preocupação com possíveis efeitos de longo prazo dos bloqueadores da puberdade e dos hormônios do sexo oposto.
Em dezembro de 2024, o Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido proibiu, por tempo indeterminado, o uso de bloqueadores da puberdade em menores com disforia de gênero, permitindo apenas pesquisas clínicas.
Segundo o órgão, “A Comissão de Medicamentos para Uso Humano (CHM, na sigla em inglês) forneceu pareceres independentes de especialistas, concluindo que existe atualmente um risco inaceitável à segurança na prescrição contínua de bloqueadores da puberdade para crianças”.
O departamento também informou: “Os bloqueadores da puberdade para o tratamento da incongruência de gênero e/ou disforia de gênero em menores de 18 anos foram temporariamente proibidos em maio de 2024, após a Revisão Cass concluir que não havia evidências suficientes para comprovar sua segurança. A legislação será atualizada hoje para tornar a proibição por tempo indeterminado e será revisada em 2027.”
Em maio de 2025, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos publicou um relatório com mais de 400 páginas sobre procedimentos de afirmação de gênero em menores. O documento classificou essas intervenções como “invasivas” e “geralmente irreversíveis”.
A introdução do relatório afirma: “Essas intervenções acarretam risco de danos significativos, incluindo infertilidade/esterilidade, disfunção sexual, comprometimento da densidade óssea, impactos cognitivos adversos, doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos, transtornos psiquiátricos, complicações cirúrgicas e arrependimento”.
O texto também conclui: “Entretanto, revisões sistemáticas das evidências revelaram profunda incerteza sobre os supostos benefícios dessas intervenções.”
A PCUSA não é a única denominação protestante dos Estados Unidos a se manifestar sobre o tema. Em março deste ano, o bispo Julius C. Trimble, secretário-geral do Conselho Geral de Igreja e Sociedade da Igreja Metodista Unida, publicou um artigo defendendo uma proposta de legislação federal para derrubar proibições estaduais relacionadas a esses procedimentos.
Portal Exibir Gospel