O deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) criticou nesta semana o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por causa da crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e alertou para o impacto do episódio entre os evangélicos. As declarações foram feitas na rede social X, em meio ao racha na família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Feliciano demonstrou preocupação com o desgaste da relação entre o senador e o eleitorado cristão. Em uma das publicações, ele questionou os ataques de apoiadores de Flávio aos evangélicos.
“Meu irmão @FlavioBolsonaro vc não fará nada com estes malucos q inventam uma conspiração evangélica contra vc? Isso está causando um desgaste tremendo no segmento. Faça um pronunciamento, antes que o desastre seja irreversível”, escreveu.
Em outra postagem, o deputado elevou o tom e sugeriu que aliados de Flávio estariam afastando lideranças cristãs do grupo político.
“Você acredita mesmo que evangélicos conspiram contra ti? Coloque os galos de rinha dentro da caixa, antes que não tenhamos mais o que fazer. Ou querem nos mandar embora também?”, questionou.
As críticas foram publicadas um dia depois de Michelle Bolsonaro deixar oficialmente a presidência do PL Mulher. A saída ocorreu após desentendimentos públicos com o enteado durante as negociações sobre os palanques estaduais do partido.
Antes disso, Feliciano também pediu que Flávio reconhecesse possíveis erros e buscasse uma reconciliação.
“Sobre o que estão fazendo com, @Mi_Bolsonaro só digo uma coisa: ‘Homens pedem perdão quando erram! O Povo de Deus perdoa. Errou, pede desculpa!'”, afirmou o parlamentar, classificando a situação como um “desgaste gigante”.
A preocupação de Feliciano coincide com os resultados da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada após a crise. O levantamento aponta queda no apoio a Flávio Bolsonaro entre dois grupos considerados importantes para o bolsonarismo: mulheres e evangélicos.
Entre os eleitores evangélicos, o senador perdeu oito pontos percentuais desde maio. No eleitorado feminino, a queda foi de cerca de dez pontos no mesmo período.
No cenário de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36,6%. No segundo turno, Lula soma 48,8%, contra 42,3% do senador.
Michelle Bolsonaro é vista como uma das principais lideranças do segmento evangélico dentro do bolsonarismo e mantém forte relação com igrejas e lideranças cristãs. Por isso, a crise é acompanhada com atenção por integrantes do PL, que avaliam os reflexos do conflito sobre uma das bases eleitorais mais importantes do partido.
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