Um estudo realizado pelo King’s College London, em parceria com a UFPE e a UFMG, apontou que jovens conservadores e evangélicos demonstraram maior interesse em seguir carreira nas Forças Armadas e na Polícia Militar entre 2021 e 2025, no Brasil. A pesquisa ouviu 2.032 pessoas de 18 a 26 anos em novembro de 2025.
O levantamento, intitulado “Becoming or getting by” (“Tornar-se ou sobreviver”, em tradução livre), mostrou que a busca por estabilidade financeira após os impactos da pandemia da Covid-19 foi um dos principais motivos para o crescimento desse interesse.
Os pesquisadores também relacionaram o avanço do interesse ao fortalecimento de pautas conservadoras nos últimos anos. Segundo os autores, houve influência da “militarização progressiva da burocracia brasileira durante a administração de [Jair] Bolsonaro (2018-2022)”.
“Sob a administração de Bolsonaro, o militarismo não era só muito visível no discurso público, mas comumente associado como uma garantia de estabilidade, soberania nacional e valores morais que podem ter importância entre comunidades evangélicas“, afirmam os autores do estudo.
De acordo com a pesquisa, os evangélicos foram o grupo religioso com maior interesse proporcional nas carreiras militares. Em 2025, 61,5% disseram ter disposição para seguir nas Forças Armadas e 49,3% demonstraram interesse pela Polícia Militar.
Os números gerais também cresceram. Entre os jovens que responderam “definitivamente sim” para entrar no Exército, Marinha ou Aeronáutica, o índice subiu de 19,9% em 2021 para 30,7% em 2025. Somando as respostas “definitivamente sim” e “provavelmente sim”, o interesse passou de 43,8% para 55,6%.
Na Polícia Militar, o avanço também foi registrado. O percentual dos que responderam “definitivamente sim” aumentou de 11,9% para 25,6% no mesmo período.
O estudo destaca ainda que desigualdades sociais e dificuldades econômicas influenciam diretamente essa escolha profissional, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Segundo os pesquisadores, menor renda, falta de oportunidades e dificuldade de inserção no mercado de trabalho ajudam a explicar o cenário.
Outro dado observado foi o crescimento do interesse pela segurança pública entre jovens pretos e pardos. Em 2025, 49,8% dos jovens pretos e 48% dos pardos afirmaram ter intenção de atuar na área.
Os autores defendem que ampliar a oferta de empregos estáveis para jovens pode ajudar a reduzir a dependência das carreiras militares como principal caminho de mobilidade social.
“Individualmente carreiras militares poderiam constituir uma escolha de carreira positiva, particulamente quando outras opções não estão disponíveis. Ainda assim, socialmente, e no contexto do Brasil, é importante considerar as implicações políticas quando isso se torna o caminho central de carreira no passado recente de uma ditadura militar no país”, concluíram os pesquisadores.
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