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03/07/2026

Entretenimento

Parque Monte de Oração gera polêmica após entidades acusarem prefeitura de favorecer evangélicos em SP

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A construção do Parque Monte de Oração, em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, gerou questionamentos de moradores e entidades, que acusam a Prefeitura de privilegiar evangélicos na implantação do espaço. A obra começou após ordem assinada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), em março, e está sendo executada pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

A principal crítica surgiu porque a apresentação oficial do projeto foi feita apenas a pastores da região. O fato levou moradores e representantes de outras religiões a cobrarem mais diálogo sobre um espaço público.

Em maio, a Associação Movimento Brasil Laico apresentou uma representação ao Ministério Público pedindo investigação sobre o projeto. A entidade solicita a apuração da legalidade da criação do parque, dos processos licitatórios e do uso de recursos públicos.

Para Leandro Patrício, diretor-presidente da associação, o investimento pode ferir princípios constitucionais. “Há uma violação pela questão de que vai favorecer um segmento específico e de que está sendo investido recurso público. Se o município quer fazer alguma coisa que favoreça uma religião, ele precisaria fazer para favorecer todas, porque o Estado laico e o princípio da isonomia partem dessa ideia de que não se pode favorecer um segmento em detrimento de outros”, afirma.

O presidente da ONG Ilê Axé Omo Odé, Pai Jair de Odé, disse que soube da iniciativa pelas redes sociais e criticou a falta de participação de líderes de outras crenças. “Do jeito que está sendo divulgado, é um espaço evangélico. Se vai ser um parque com estrutura, com banheiro, com grade, com segurança, teria que ser para todos”, declarou.

Ele também defendeu que a diversidade religiosa da região seja considerada. “Cidade de Tiradentes é um local em que a maioria das pessoas é negra. Então nós temos que trabalhar também a nossa ancestralidade. Não que não possa ter o parque, mas teria que pensar em um espaço para outras religiões”, afirmou.

A gestora cultural Bia Sankofa, praticante do candomblé e moradora da região, disse que não pretende frequentar o parque após a inauguração por receio de sofrer intolerância religiosa.

Já o pastor Alexandre Deanini, da Igreja Batista Betel, afirmou que o espaço deve ser usado por qualquer pessoa. “Eu não vejo nenhum problema. Se amanhã tiver um umbandista lá dentro, ele tem o direito de estar, e ninguém, eu tenho certeza, vai dizer: ‘sai daqui’”, disse.

A Secretaria Municipal do Verde informou que a conversa inicial com pastores ocorreu porque os evangélicos utilizam a área há mais de 50 anos. Segundo Tamires Oliveira, chefe de gabinete da pasta, o parque será aberto a toda a população. “Nós não estamos fazendo nada exclusivo para ninguém. [A reunião] Foi com eles [evangélicos] por conta de serem os maiores interessados. Mas para nós não tem problema nenhum se outras pessoas também vierem nos procurar”, afirmou.

De acordo com a prefeitura, o Parque Monte de Oração será construído em uma área de proteção ambiental da Mata do Iguatemi, no bairro Fazenda do Carmo. O espaço terá cerca de 36 mil metros quadrados, com banheiros, iluminação, guarita e outros equipamentos de infraestrutura e segurança.

As obras serão realizadas em três etapas e têm custo estimado de R$ 10,7 milhões, com recursos de compensação ambiental e da própria prefeitura. A Secretaria do Verde informou ainda que adotará medidas para prevenir casos de discriminação e garantir a convivência entre frequentadores de diferentes religiões.

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