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10/07/2026

Entretenimento

Bispo e três líderes católicos são presos na Nicarágua, denuncia organização

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O governo da Nicarágua prendeu o bispo emérito de Estelí, Juan Abelardo Mata Guevara, e outros três líderes católicos entre os dias 29 e 30 de junho, segundo denúncia da organização Solidariedade Cristã Mundial (CSW). As detenções ocorreram em Estelí e os religiosos foram mantidos sob custódia por algumas horas antes de serem libertados.

De acordo com a CSW, o bispo de 80 anos foi preso no dia 29 de junho enquanto estava na Clínica San Juan, em Estelí. Em seguida, ele foi levado para a prisão de segurança máxima de El Chipote, em Manágua, e liberado na mesma noite. No dia seguinte, voltou a ser detido e permaneceu sob custódia até a tarde.

Também em 30 de junho, foram presos o diácono Wilfred Aráuz Rodríguez, o padre Francisco Morales, da Igreja de La Cruz del Calvario, e o padre Rigoberto Delgadillo Sánchez, da Paróquia Santuário Divino Niño. Segundo a entidade, os três permaneceram detidos por cerca de 12 horas.

A organização afirma que as prisões aconteceram depois que Mata Guevara celebrou uma missa na qual orou pelos cristãos perseguidos no país e citou líderes religiosos que enfrentaram exílio ou prisão domiciliar. A CSW também informou que pessoas ligadas ao governo costumam participar de cultos para gravar sermões e orações e repassar o conteúdo às autoridades.

Após ser libertado, o bispo passou a ter policiais em frente à sua residência. A presença dos agentes aumentou a preocupação com uma possível vigilância permanente e restrições à sua circulação. Mata Guevara usa marca-passo, é sobrevivente de câncer e está aposentado do ministério desde 2020.

O bispo auxiliar da Arquidiocese de Manágua, Silvio José Báez, criticou a ação das autoridades em suas redes sociais. Ele classificou a prisão como “uma agressão injustificada contra o bispo emérito de Estelí” e afirmou que o episódio demonstra a gravidade da situação vivida no país.

A CSW informou que registrou, apenas em junho, 12 casos de prisões arbitrárias de líderes religiosos na Nicarágua, entre eles seis pastores evangélicos e seis representantes da Igreja Católica. A entidade também recebeu relatos de ameaças e assédio contra diferentes igrejas, inclusive algumas consideradas próximas ao governo.

A diretora de Advocacy e líder da Equipe das Américas da CSW, Anna Lee Stangl, pediu que o governo nicaraguense interrompa o assédio contra Mata Guevara e outros líderes religiosos e respeite a liberdade de expressão e de religião.

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