O ministro André Mendonça, do STF, revelou que relatórios da Polícia Federal usaram a fé evangélica como base para investigá-lo. Os documentos tentavam ligar Mendonça ao advogado-geral da União, Jorge Messias, por causa dessa crença comum.
A informação veio à tona na semana passada, quando Mendonça afastou preventivamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa. A decisão foi anulada primeiro pelo ministro Flávio Dino e, depois, por Edson Fachin.
Segundo Mendonça, um dos relatórios apontava uma “matriz religiosa comum” entre ele e Messias. O texto também citava apoio de igrejas evangélicas às candidaturas dos dois ao Supremo Tribunal Federal.
O ministro chamou essa tentativa de ligação pela fé de “abjeta e leviana acusação”. Para ele, usar a religião como pretexto não tinha nenhuma base legítima.
Mendonça afirmou ainda que o monitoramento contra ele e Messias durava mais de um mês. A PF havia produzido seis relatórios entre os dias 3 e 31 de agosto com análises sobre a atuação de ambos.
O magistrado classificou a prática da PF como uma espécie de “arapongagem institucional” e “juízo correicional”. Ele disse que o documento usado contra ele não tinha timbre nem qualquer símbolo oficial.
Essa falta de identificação, segundo Mendonça, impedia confirmar quem escreveu o material e quando ele foi feito. O caso reforçou as críticas do ministro ao que classificou como monitoramento ilegal.
Na próxima semana, Mendonça também enfrentará outro julgamento no STF. Ele responderá por ter retirado o sigilo de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes e por uma possível troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Portal Exibir Gospel