Voltou a circular nas redes sociais reportagens publicadas no mês de março sobre o aumento do número de possessões demoníacas no mundo. Na época, especialistas ligados à Associação Internacional de Exorcistas (AIE) alertaram o papa Leão XIV, durante uma reunião no Vaticano, sobre a falta de exorcistas para atender à crescente demanda em diversos países.
Segundo o grupo, há uma carência de mais de 2 mil exorcistas em todo o mundo. A preocupação ocorre em um cenário em que, segundo os especialistas, cresce o interesse por práticas ligadas ao ocultismo, ao satanismo e à magia.
A Associação Internacional de Exorcistas foi fundada em 1994 e reúne cerca de mil membros. A entidade promove cursos de formação, treinamento e atualização para padres que atuam nesse ministério.
Para o professor de teologia Alberto Castaldini, a Igreja precisa ampliar a formação de exorcistas. “Seria uma conquista significativa se cada diocese católica pudesse ter pelo menos um exorcista”, afirmou.
Ele também destacou a importância do preparo dos futuros sacerdotes. “A formação teológica e pastoral é importante para aumentar a conscientização sobre esse ministério pastoral.”
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Castaldini lamentou que o tema ainda receba pouca atenção em instituições de ensino religioso. “Infelizmente, o tema da esconjuração, recorrente na literatura e no cinema, muitas vezes está ausente ou não é abordado adequadamente nos currículos de seminários ou faculdades de teologia”, acrescentou.
De acordo com especialistas, alguns seminários passaram a promover encontros anuais com padres exorcistas. No entanto, a medida ainda não seria suficiente para suprir a demanda crescente nem resolver a falta de profissionais preparados.
Ao explicar as causas desse aumento, Castaldini citou o envolvimento de pessoas com práticas espirituais alternativas. “Essa crescente demanda deriva de uma variedade de causas. Por exemplo, envolvimento em seitas ocultistas, participação em círculos esotéricos ou neopagãos, ou o uso de práticas mágicas.”
Ele ainda afirmou que o fenômeno tem ganhado força com a internet. “Esses fatores apontam para um fenômeno que está, sem dúvida, em ascensão, tornando-se cada vez mais difundido e abrangente, impulsionado pelas mídias sociais e até mesmo pela inteligência artificial”, alegou.
Um dos fundadores da AIE foi o padre Gabriele Amorth, que atuou como exorcista da Diocese de Roma e afirmava ter realizado mais de 160 mil exorcismos antes de sua morte, em 2016.
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