A pastora e pregadora Helena Raquel respondeu publicamente ao pastor e deputado Marco Feliciano após ele questionar, em um podcast, as declarações feitas por ela sobre casos de violência doméstica tratados dentro de igrejas. A manifestação ocorreu cerca de 30 dias após a mensagem pregada por Helena nos Gideões Missionários.
Ao rebater o parlamentar, Helena afirmou que não pretende apresentar nomes de líderes religiosos e destacou que a própria reação recebida após sua fala demonstra a dificuldade enfrentada por mulheres que tentam denunciar situações de abuso. “Se alguém que propõe uma fala exortativa sobre um tema existente enfrenta esse tipo de pressão, o que será de quem está na ponta?”, questionou.
A pregadora também respondeu às críticas sobre o uso da palavra “denúncia”. Segundo ela, o termo foi empregado no sentido de revelar ou expor uma realidade vivida por muitas mulheres dentro das igrejas. “A denúncia ali tem outra conotação. Declaração, exposição, revelação, são sinônimos. Denunciar também é fazer conhecer, revelar, declarar”, afirmou.
Helena disse ainda que pastores que atuam diariamente no atendimento de membros conhecem histórias de pessoas vindas de ambientes religiosos abusivos. “Pastores de igrejas bíblicas, saudáveis e éticas sabem perfeitamente que recebemos em nossos gabinetes pessoas que advêm de lugares adoecedores, onde há lideranças manipuladoras e abusadoras”, declarou.
Ao encerrar a resposta, ela afirmou que continuará abordando o tema. “Da próxima vez vou tentar lembrar que devo falar revelação, exposição, declaração. Eu só não vou me calar em nome de Jesus”, disse.
A reação de Helena veio após Marco Feliciano desafiar publicamente a pregadora a apresentar casos concretos de pastores que teriam orientado mulheres vítimas de violência a não procurarem a polícia. “Mostrar pra mim um pastor que falou para a mulher: ‘vamos abafar aqui o problema’. Se tiver alguém que falou isso, me fale o nome dele, porque eu mesmo vou denunciar esse pastor”, afirmou.
Feliciano também criticou o uso da palavra “denúncia” durante a mensagem da pregadora. “Denúncia tem que ter nome e endereço. Se você está denunciando, você ou está vivendo o problema ou conhece quem está vivendo”, declarou. Para ele, o termo mais adequado seria “alerta”.
Nos comentários dos vídeos publicados pelo pastor sobre o assunto, diversos internautas relataram experiências pessoais envolvendo orientações recebidas em ambientes religiosos. Alguns afirmaram ter presenciado ou vivido situações em que mulheres foram aconselhadas a preservar o casamento e evitar denúncias formais de violência doméstica, reforçando o argumento apresentado por Helena de que o problema existe e precisa ser discutido.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=H6bmGfa1CIk
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