O professor de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rodrigo Toniol, afirmou em artigo publicado na Folha de S.Paulo que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se tornou um dos principais trunfos da direita partidária nos últimos anos. O texto foi divulgado recentemente no jornal e analisa a atuação do parlamentar no campo religioso.
Para Toniol, o diferencial do deputado está na capacidade de dialogar com evangélicos e católicos ao mesmo tempo. “A ascensão de Nikolas Ferreira na política nacional é o trunfo mais relevante da direita brasileira no campo partidário nos últimos anos”, escreveu o professor na Folha de S.Paulo.
O articulista destaca que o deputado, filho de pastor, já parte de uma identidade evangélica consolidada. Segundo ele, diferentemente do ex-presidente Jair Bolsonaro, que precisou se aproximar publicamente do segmento evangélico, Nikolas “não precisa de nenhum desses gestos para se credenciar como evangélico”.
O movimento mais recente, segundo Toniol, é a aproximação com o catolicismo conservador. Ele cita recomendações de livros e a presença do deputado em agendas com lideranças católicas. “O que o jovem deputado federal mineiro tem feito é se aproximar dos católicos”, afirmou no artigo da Folha.
A reação dentro da própria Igreja Católica também é mencionada. Toniol relata críticas feitas por padres durante missas e observa que Nikolas respondeu em vídeo, defendendo que não poderia ser usado para que “o maior sacramento” fosse negado a fiéis. Para o professor, o deputado percebeu que “não existe o voto evangélico” como bloco único, mas afinidades morais que aproximam diferentes grupos cristãos.
Já o jornal Correio Braziliense abordou o tema sob o título “Nikolismo ganha força e reorganiza a direita no Brasil”. A reportagem, assinada por Wal Lima, aponta que a prisão de Jair Bolsonaro, em novembro, abriu espaço para uma reorganização interna no PL.
Segundo o Correio Braziliense, parlamentares passaram a observar com mais atenção o crescimento de Nikolas após uma caminhada organizada por ele no fim de janeiro, em Brasília. O jornal destaca que o deputado foi o mais votado do país em 2022 e acumula milhões de seguidores nas redes sociais.
Evandro Araújo, presidente do PL Jovem do Distrito Federal, afirmou ao Correio que o protagonismo do deputado já vinha se desenhando. “O Nikolas, hoje, representa uma geração que consegue dialogar com a base conservadora de forma direta, sem intermediários”, declarou ao jornal.
O cientista político Marcelo Vitorino também avaliou o fenômeno. “Ele reúne três elementos que hoje são centrais na política: forte presença digital, identidade ideológica clara e capacidade de mobilização”, disse ao Correio Braziliense.
Enquanto o artigo da Folha de S.Paulo analisa a atuação religiosa e a aproximação entre evangélicos e católicos, o Correio Braziliense é quem adota o termo “nikolismo” para definir o movimento político em torno do deputado. As duas abordagens, por caminhos diferentes, apontam para o crescimento da influência de Nikolas no cenário da direita brasileira.
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